Menina de nove anos termina corrida inspirada em treino dos 'marines'

Foi a única menor a participar numa das provas mais difíceis. Foi vítima de bullying na escola e agora quer inspirar uma geração

Tem nove anos e fala assim: "Não quero jogos de computador. Não quero um hoverboard. Não quero coisas que simplifiquem a vida. Quero estar confortável estando desconfortável. Tenho um corpo e é tudo o que quero e tudo o que gosto." Chama-se Milla Bizzotto e participou na BattleFrog na Virginia (EUA), uma corrida de 24 horas, com obstáculos, inspirada no treino dos marines.

Milla recorda-se quando ia assistir às corridas do pai, esperando que ele aparecesse na meta, cortando-a com ela. Agora a criança e o pai, Christian (de 36 anos), voltaram a cortar a meta juntos, mas ambos como participantes de uma das corridas mais duras do mundo. Milla foi a única atleta com menos de 18 anos a competir e completou seis voltas ao circuito de oito quilómetros, com 25 obstáculos.

"Eu sou destemida e saber que estou a inspirar pessoas torna-me ainda mais destemida. É difícil, mas isso não me para", afirmou ao Miami Herald. Milla mede cerca de 1,20 metros e pesa 24 quilos, mas não se intimidou com as dificuldades da competição de 24 horas - que se realizou a 5 de março -, tendo dormido apenas quatro, entre as duas e as seis da manhã.

O pai, um treinador de CrossFit, não escondeu o orgulho: "Estou tão orgulhoso. Ela foi fantástica durante toda a corrida. Ela é mesmo implacável e recusa desistir." Christian confessou que estava convencido que a corrida iria "esmagá-la". "Queria mostra-lhe que era mais difícil do que ela pensava, mas quando acabámos, o que ela mais queria era fazer mais uma volta", salientou.

Em junho do ano passado, Milla começou um plano de treino de três horas diárias, cinco dias por semana. Mas nunca deixou de se dedicar à escola - onde frequenta um programa para sobredotados, levantando-se cedo para fazer os trabalhos de casa. E Milla não teve vida fácil na escola, onde diz ter sido vítima de bullying. "Não quero que mais ninguém passe aquilo que passei. Quero deixar uma marca e mostrar às outras crianças que elas podem fazer ou ser o que quiserem", afirmou Milla.

A mãe admite que este tipo de competições são extremas, mas apoia a filha e Christian, de quem se divorciou: "A Milla adora. Acho que não se deve impor limites às pessoas, muito menos a crianças."

Através de uma plataforma de crowdfunding foram angariados os 1500 dólares necessários (cerca de 1300 euros) para comprar o equipamento necessário para Milla participar na BattleFrog.

Apesar da exigência da prova - que não foi a primeira de Milla, que já tinha completado corrida idêntica, mas de 15 quilómetros - o médico que acompanha a criança salientou ao Miami Herald que não se trata de um caso de os pais tentaram viver através da filha. "Isto é tudo motivação própria. Ela é uma atleta e está a fazer coisas que são razoáveis para ela. Se ele tivesse dores constantes ou demonstrasse problemas de crescimento, então seria diferente. Mas não é o caso", referiu Todd Narson.

E Milla parece determinada em continuar: "Quero inspirar uma geração. Adoro o que faço e quero fazê-lo para sempre."

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