Medina diz que retirada de parquímetros em Carnide "é inqualificável"

"Lamento tudo isto e só posso assegurar que, com toda a rapidez, a EMEL vai repor a situação e proceder à operação como estava programado", afirmou

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, classificou esta quinta-feira como "inqualificável" a retirada de parquímetros de estacionamento durante a noite na freguesia de Carnide e assegurou que os equipamentos vão ser reinstalados "com toda a rapidez".

"Acho isto inqualificável, lamento tudo isto e só posso assegurar que, com toda a rapidez, a EMEL [Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa] vai repor a situação e proceder à operação como estava programado", declarou Fernando Medina, que falava aos jornalistas após uma reunião de trabalho em Miraflores (Oeiras).

Na noite de quarta-feira, moradores de Carnide retiraram os parquímetros da EMEL que tinham sido ativados na sexta-feira, em protesto pela sua instalação na zona histórica da freguesia.

Os 12 parquímetros, colocados ao longo de quatro ruas e retirados apenas com força de braços, encontravam-se hoje de manhã na sede da Junta de Freguesia, cujo presidente, Fábio Sousa (CDU), sempre contestou a forma como a introdução de lugares tarifados (correspondentes à zona amarela) estava a ser feita.

Apesar do descontentamento dos moradores e da Junta, "não se pode reagir a isso com um ato de vandalismo e, muito menos, organizado por quem tem responsabilidades do Estado", defendeu Fernando Medina.

"Uma Junta de Freguesia proceder à vandalização do material público com os seus próprios meios, à sua subtração do espaço público e depois com um jogo mediático [...] é algo profundamente lamentável", insistiu, vincando que "nada justifica aquilo que foi feito".

Salientando que nunca viu uma situação como esta, o autarca indicou que a decisão foi tomada "a pedido de muitos moradores e também da Junta que, em determinado momento, mudou de opinião".

"Pode ser que seja do calendário", por se estarem a aproximar as eleições autárquicas, marcadas para 1 de outubro, disse, falando em "momentos de oportunismo".

Fernando Medina explicou que, à volta do centro histórico de Carnide, existem várias zonas tarifadas pela EMEL e, por isso, aquela área acaba por "ter uma sobrecarga de carros que lá vão estacionar porque não pagam".

Por essa razão, o executivo camarário (de maioria PS, mas que também conta com eleitos do PSD, CDS-PP e PCP) aprovou a introdução de lugares tarifados na "tentativa de melhorar os lugares disponíveis para moradores", disse.

O responsável adiantou que, entretanto, "as forças de segurança intervieram, o tribunal já ordenou que todos os bens retornassem à propriedade da EMEL e a EMEL vai proceder à sua reinstalação".

"A operação vai iniciar-se com toda a normalidade, de acordo com o que estava programado", sublinhou.

A Junta de Freguesia tem vindo a contestar a forma como o estacionamento tarifado foi introduzido no centro histórico de Carnide, considerando que não surge no momento adequado por o município ainda não ter requalificado locais como a Azinhaga das Carmelitas, Travessa do Pregoeiro, Rua General Henrique de Carvalho, Rua das Parreiras e a Rua da Mestra.

Fernando Medina desvalorizou a justificação da Junta e assinalou que "há muitas coisas que é importante fazer na cidade".

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