Marinha impede trasfega de crude em águas da Madeira

Marinha identificou dois petroleiros que indiciavam "preparativos para a prática de abastecimento no mar e trasfega de crude entre navios". Navio-patrulha NRP Mondego foi enviado para o local.

A Marinha Portuguesa anunciou esta segunda-feira que evitou uma trasfega de crude entre dois navios na Zona Económica Exclusiva da Madeira (ZEE).

De acordo com uma nota divulgada nas redes sociais, o Centro de Operações Marítimas da Marinha "detetou este domingo [14 de agosto] o movimento suspeito de dois navios petroleiros dentro das águas sob jurisdição nacional, pelo que o NRP Mondego [navio-patrulha atualmente afeto à zona marítima da Madeira e que assegura o patrulhamento e vigilância das águas do arquipélago] se dirigiu para o local", a cerca de "200 milhas náuticas da Madeira, o equivalente a mais de 370 quilómetros".

"Estes navios aparentavam um padrão de navegação que indiciava preparativos para a prática de abastecimento no mar e trasfega de crude entre navios", tendo o NRP Mondego estabelecido comunicação com os dois petroleiros, denominados Cristal Rose e Natalina 7, ambos com pavilhão do Panamá, sendo o proprietário do primeiro das ilhas Marshall e o segundo da China.

Segundo a Marinha, o Cristal Rose assumiu que "se encontrava a aguardar instruções para realizar a atividade de trasfega de crude, tendo-lhe sido comunicado que Portugal, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, não autoriza a realização de atividades de reabastecimento" na sua Zona Económica Exclusiva, dado o "risco potencial para a ocorrência de poluição no mar".

O navio, depois de interpelado, "comunicou que se ia afastar da ZEE e deslocar-se para Gibraltar", adianta a Marinha, acrescentando que foi mantido o acompanhamento dos movimentos do petroleiro para assegurar o afastamento. Também o Natalina 7, que se encontrava a "cerca de 50 milhas" do outro navio, foi interpelado, após o que saiu das águas de jurisdição portuguesa.

"O Estado português, através da Marinha Portuguesa, garante o cumprimento da lei nos espaços marítimos sob soberania ou jurisdição nacional, pelo que não permite o desenvolvimento deste tipo de atividades na Zona Económica Exclusiva, atendendo ao risco de derrame de hidrocarbonetos que acarreta", conclui a nota da Marinha.

Há poucos dias o jornal Público avançou que o transbordo de crude entre navios estará a ganhar expressão nas águas do Oceano Atlântico, noticiando uma transferência entre navios russos e chineses, 860 milhas náuticas a oeste de Portugal, neste caso em águas internacionais, fora da jurisdição portuguesa.

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