Marco viveu dois meses com orelha no braço

Acidente de viação destruiu-lhe a orelha esquerda. Hospital de São João reconstruiu-a, num transplante pioneiro no mundo.

Uma cirurgia inédita a nível mundial realizada no Hospital de São João, no Porto, devolveu a Marco André Magalhães a orelha que perdera há dois anos num acidente de viação.

O homem de 27 anos estava a viver, desde março deste ano, com a orelha protésica biocompatível de polietileno poroso no antebraço. Uma cirurgia de oito horas permitiu o transplante dessa prótese construída à imagem do doente para o sítio onde devia estar.

Até agora, quase um mês depois da intervenção pioneira - que se realizou a 30 de maio por uma equipa de cirurgiões do Serviço de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Maxilo-Facial - não se tem registado qualquer sinal de rejeição. Para setembro, está agendada uma nova visita ao hospital. Marco fará, nessa altura, outra operação, desta vez para melhorar o contorno da orelha.

A função auditiva não foi afetada nem pelo acidente, nem pelo trabalho cirúrgico subsequente, mas a autoestima ressentiu-se, confessa o homem.

Deixou o cabelo crescer e passou a usar um gorro de manhã à noite para esconder a ausência da orelha esquerda. "Uma técnica de camuflagem", revela Marco André ao Jornal de Notícias.

Em 2014, Marco André Magalhães dirigia-se à Serra da Freita, no sudeste do concelho de Arouca, quando se despistou e bateu contra uma árvore que impediu a queda num abismo. Do acidente, o jovem guarda apenas os sons, a orelha agora reconstruída - que ficara completamente retalhada e sem conserto possível - e os movimentos gradualmente reconquistados do pulso e dedos da mão direita, antes paralisada.

Dois anos, duas cirurgias e oito meses de fisioterapia levaram, assim, Marco André de volta ao trabalho, à gestão de um dos supermercados que os pais têm em Arouca.

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