Mapa do cancro da mama revela novos alvos terapêuticos

Maior estudo de sempre sobre mutações genéticas implicadas no cancro da mama é visto como um marco

O cancro tem uma linguagem própria, que é a das mutações genéticas, pelo que, identificá-las e conhecê-las é um dos passos essenciais para o seu tratamento e cura. Foi exatamente esse o propósito do estudo genético mais abrangente de sempre para o cancro da mama, que identificou todas as mutações genéticas adquiridas encontradas em tecidos de tumores cancro de mama de 560 doentes.

Considerado um marco na investigação genómica (relativo ao conjunto do genoma) desta doença, o estudo, que foi publicado na revista Nature, identifica um total de 93 genes (dos mais de 20 mil que tem o genoma humano), cujas mutações estão implicadas na doença.

"Esta é informação importante, que fica disponível para que as universidades, as farmacêuticas e as empresas de biotecnologia possam começar a desenvolver novas drogas, uma vez que estes genes alterados e as suas proteínas são alvos para novas terapêuticas", afirmou à BBC News on line Mike Stratton, diretor do Sanger Institute, em Cambridge, no Reino Unido, e o coordenador da equipa internacional que fez o estudo.

As mutações genéticas implicadas neste tipo de cancro não são, no entanto, todas idênticas, nem na frequência com que ocorrem, nem naquilo que as causa.

Um dos dados que emerge deste estudo mostra, por exemplo, que 60% das mutações envolvidas neste tipo de cancro ocorrem num grupo restrito de apenas 10 genes.

Por outro lado, há mutações que são muito raras, embora o seu efeito não deixe de ser o cancro de mama. Mas, neste último caso, a sua raridade não deverá favorecer investimentos avultados para que sejam desenvolvidas novas terapias.

Quanto à causa das mutações, não existe uma única, mas várias. Algumas têm uma marca claramente hereditárias, esclarecem os autores do estudo. Outras são como que um efeito secundário das defesas do organismo contra determinados vírus, mas para a maioria, concluem os investigadores, não há ainda nenhuma explicação conhecida.

O estudo agora publicado poderá ser também um novo ponto de partida para que novas investigações resolvam esses mistérios.

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