Mais de 16 mil infeções detetadas em cinco milhões de pessoas com vacinação completa

Ao todo, são 16 671 as infeções, assintomáticas e sintomáticas, detetadas pelas autoridades de saúde, de janeiro a agosto, em mais de 5 milhões de pessoas com vacinação completa. Segundo a DGS, um número que apenas representa 0,3% dos vacinados.

Há muito que se sabe que aos hospitais portugueses começaram a chegar doentes infetados pelo SARS CoV-2 que tinham vacinação completa ou até vacinação incompleta, só uma dose. E, hoje, isto mesmo é confirmado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que desde janeiro, ou melhor desde o início do processo de vacinação contra a covid-19, vem a fazer a monitorização contínua de pessoas com esta infeção e o seu estado vacinal.

Ao fim de sete meses, e numa altura em que é anunciado que o país atingiu os 70% de população vacinada, os dados oficiais demonstram que, do dia 1 de janeiro ao dia 8 de agosto de 2021, foram identificados 16 671 casos de infeção por SARS-CoV-2.

Segundo explicaram ao DN, estas infeções, assintomáticas como sintomáticas, foram identificadas num total de mais de 5 milhões de indivíduos, mais precisamente de entre 5 467 487, os quais tinham a vacinação completa há mais de 14 dias. Em termos percentuais 0,3% do total de vacinados, o que não é significativo.

De acordo com os dados disponibilizados ao nosso jornal, e recolhidos ao longo destes sete meses pela DGS e por outras entidades de saúde, nomeadamente Infarmed, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e Task Force para a Vacinação Covid.19, com o objetivo de avaliarem os efeitos da vacinação na população, verificou-se ainda, entre o total de casos de infeções, 115 situações de internamento com diagnóstico principal por covid-19 e 50 com diagnóstico secundário. Dos internados com diagnóstico principal da doença, 19, 67% tinham mais de 80 anos.

No mesmo período, de 1 de janeiro a 8 de agosto, foram ainda identificados 168 óbitos em pessoas com esquema vacinal completo. Destes, 81% (134) tinham mais de 80 anos. Mas continuando a analisar o estado vacinal dos óbitos, entre janeiro e agosto, a DGS refere ter sido observado que 46 óbitos (40%) tinham um esquema vacinal completo, 45 óbitos (40%) não estavam vacinados e 12 óbitos (10%) tinha a vacinação incompleta.

A DGS sublinha igualmente, e como já tinha sido referido esta semana ao DN por um dos seus dirigentes, que "a população mais vulnerável à covid-19 encontra-se quase totalmente vacinada (96% com esquema vacinal completo e 99% com esquema vacinal pelo menos iniciado), pelo que é esperado que a proporção de casos com esquema vacinal completo no total de óbitos aumente. No entanto, realçamos que a pequena proporção de pessoas não vacinadas em idades mais avançadas é responsável por 40% dos óbitos, o que reforça a proteção conferida pelas vacinas contra a doença grave e morte".

Risco de morte diminuiu três a sete vezes com vacinação

No que toca à letalidade por estado vacinal e por idade, a DGS diz que foi possível observar que o risco de morte diminuiu 3 a 7 vezes após vacinação completa quando comparado com pessoas não vacinadas no mês de julho de 2021.

No entanto, e no que toca à letalidade para a população com 80 anos ou mais anos, foi registado um aumento de maio a junho de 2021. Segundo refere a autoridade de Saúde, este aumento não é explicável através de uma redução de testes neste grupo etário, já que foram feitos 61 mil testes em maio e 63 mil testes em junho, sustentando que o que poderá justificar este aumento na letalidade é a diminuição da identificação de casos menos graves para esse grupo etário.

Um aumento que ocorreu tanto em casos vacinados como em não vacinados, o que poderá também relacionar este aumento da letalidade à maior gravidade da doença associada à variante Delta, uma vez que o mês de maio correspondeu ao mês de transição entre a variante Alpha e Delta.

Mas a causa para este aumento irá continuar a ser estudada. A DGS reforça que, independentemente da realização de mais estudos, a proteção oferecida pela vacina parece reduzir três vezes o risco de morte na população mais idosa.

Por outro lado, e relativamente aos dados recolhidos durante o mês de junho, sobre a faixa etária dos 80 e mais anos, com esquema vacinal completo, foi observado que esta apresentou um risco de hospitalização muito inferior aos que não estavam vacinados. "Cerca de cinco vezes inferior aos não vacinados", refere a DGS. Os mesmos dados revelam que em julho, na semana de 5 a 11, 64% dos casos internados em enfermaria não estavam vacinados contra a covid-19, 28% tinham um esquema vacinal incompleto e 8% já tinha a vacinação completa.

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