R(t) sobe para 1,06 e incidência para 72,4 infetados por 100 mil habitantes

Boletim epidemiológico da DGS indica que Portugal registou nas últimas 24 horas 684 novos casos de covid-19 e oito mortes, havendo agora 447 doentes internados, dos quais 116 em unidades de cuidados intensivos.

No dia em que o parlamento vota o 15º estado de emergência, em contexto de pandemia, Portugal registou, nas últimas 24 horas, 684 novos casos de covid-19. O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (14 de abril) refere também que morreram mais oito pessoas devido à infeção pelo novo coronavírus. Há agora 447 doentes internados, menos 12 do que no dia anterior, sendo este o número mais baixo desde meio de setembro. Deste total, 116 ainda se encontram em unidades de cuidados intensivos menos dois que na terça-feira.

Nesta quarta-feira, o boletim da DGS destaca-se pela subida da incidência da doença a nível nacional, passando para 72,4 de infetados por 100 mil habitantes, e para 69,0 de infetados por 100 mil no Continente. Quanto ao R(t), e tal como foi referido ao DN na segunda-feira por Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está a crescer em média uma centésima por dia, e nesta quarta-feira já está em 1,06 a nível nacional, antes estava a 1.04, e 1,05 no Continente, antes estava a 1,03.

Recorde-se, e como explicou Carlos Antunes ao DN, os valores de incidência e de R(t) indicados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo (INSA) e divulgados no boletim diário da DGS, têm um atraso de alguns dias. Por exemplo, o do R(t), como referiu o especialista que tem acompanhado a modelação da devolução da doença em Portugal, o R(t) já deve estar acima dos 1,11, devendo estar no dia 19 já em 1,18.

De acordo com o boletim da DGS, Portugal soma agora 828 857 casos de infeção desde o início da pandemia e 16 931 óbitos.

Nas últimas 24 horas, há ainda a registar mais 16 casos ativos, totalizando agora 25 457 casos. Em vigilância, há apenas mais oito casos, num total e 18 404. A nível dos recuperados, há uma subida significativa, mais 660 casos nas últimas 24 horas, havendo agora 786 469 de infetados curados.

A região do Norte continua a ser a que regista maior número de casos, uma tendência que se mantém desde a semana passada, mais 265 casos e três óbitos. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com mais 188 casos e cinco óbitos, depois destaca-se a região do Algarve com mais 66 casos - na terça-feira tinha registado apenas 13 casos - mas sem qualquer óbito. A região do Centro registou também 66 novos casos e a do Alentejo mais 43, ambas sem óbitos.

Governo decide amanhã o que vai fazer

Amanhã, Portugal fica a saber se a próxima fase do plano de desconfinamento, que começa a 19 de abril, vai manter-se, tendo em conta a atual situação epidemiológica. Isso mesmo disse a ministra da Saúde. Após a reunião de ontem no Infarmed, em Lisboa, Marta Temido remeteu a decisão de uma eventual alteração para a reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Marta Temido deixou claro que o Governo "vai apreciar todos os números" da evolução da infeção em Portugal. "Estes dias que estamos a viver são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou noutro e para que possamos tomar decisões na quinta-feira para o período que vem a seguir ao dia 19, para o qual estava previsto um conjunto de decisões, mas a nossa estratégia gradual poderá ter paragens ou avanços", observou.

"Seria prudente esperar antes de continuar a aliviar medidas"

Ao DN, a médica pneumologista Raquel Duarte, que integrou a equipa que elaborou a proposta de desconfinamento pedida pelo governo, diz que o momento é de alerta e que se deve dar "passos seguros".

"Devemos dar passos mais pequenos, mas seguros, que não prejudiquem o que se conseguiu até agora", defendeu, após ter ouvido os colegas especialistas na reunião de ontem no Infarmed. Raquel Duarte considera que é preciso "ser prudente e esperar algum tempo antes de continuar o aliviar das medidas restritivas e de se abrir mais setores"

UE compra mais 50 milhões da vacina da Pfizer

Entretanto, esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou a compra de mais 50 milhões de doses da vacina da Pfizer, elevando para 250 milhões o total para entrega neste segundo trimestre, após problemas com o fármaco da Janssen.

De referir que o regulador de medicamentos norte-americano recomendou uma pausa na administração da vacina da farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, após a deteção de coágulos sanguíneos em seis mulheres vacinadas.

Ursula von der Leyen, presidente do executivo comunitário, anunciou que, "mais uma vez", o Bruxelas "chegou a acordo com a BioNTech/Pfizer para acelerar a entrega de vacinas, num total de 50 milhões de doses adicionais que serão entregues no segundo trimestre, com início em abril".

De acordo com von der Leyen, "estas doses serão distribuídas proporcionalmente à população entre todos os Estados-membros, o que ajudará substancialmente a consolidar o desenvolvimento das campanhas de vacinação".

Esta aquisição foi anunciada no dia em que o jornal La Stampa, que cita uma fonte do ministério da Saúde italiano, a dar conta de um "acordo" com a Comissão Europeia e "líderes de muitos países", para que não haja renovação dos contratos com a AstraZeneca e a Johnson & Johnson, cujas respetivas vacinas se encontram em análise pelos reguladores da UE e dos EUA, por suspeitas de reações adversas.

Contactada esta manhã pelo DN para reagir à notícia, o porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, escusou-se a "comentar questões contratuais", mas não fechou a porta a qualquer das opções. Pelo contrário, afirma que todas as possibilidades "estão em aberto".

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