Maioria dos casos de VIH são nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal

Número de novos casos de infeção está a descer. No ano passado foram notificados 841. Portugal continua a melhorar resultados da tuberculose

Há cada vez menos novos casos de infeção VIH, tal como há menos pessoas infetadas com tuberculose. Os distritos de Lisboa e Porto continuam a registar os valores mais altos de notificação das duas doenças, segundo o relatório do Programa Nacional para a Infeção VIH, Sida e Tuberculose 2017, da Direção-Geral da Saúde, apresentado esta tarde, altura em que três cidades do país - Lisboa, Porto e Cascais - assinam a Declaração de Paris tornando-se oficialmente cidades na Via Rápida para eliminar o VIH.

No ano passado, refere o relatório, foram diagnosticados 841 novos casos de VIH, o que corresponde a uma taxa de 8,1 novos casos por 100 mil habitantes. Um decréscimo em relação ao ano anterior, mas ainda assim acima da média da União Europeia que é de 6,3 novos casos por 100 mil habitantes.

"O aparente decréscimo no número de novos casos deve ser alvo de reserva na sua leitura, mas é inquestionável a tendência decrescente, assistindo-se a uma redução de 73,5% do número de novos casos entre 2000 e 2016, graças ao acesso a esquemas terapêuticos mais eficazes e à implementação de políticas e estratégias na área das drogas, nomeadamente a descriminalização do uso de substância ilícitas e programas de redução de riscos e minimização de danos (programa troca de seringas e programa de substituição opiácea)", salienta o documento.

São os grandes meios urbanos que concentram a maioria dos casos. "À data da notificação, 41,1% dos indivíduos residiam no distrito de Lisboa, 18,5% no distrito do Porto e 11,3% no distrito de Setúbal, o que está de acordo com os anos anteriores e confirma a importância das grandes cidades na epidemiologia da infeção por VIH."

A transmissão heterossexual mantém o predomínio (57% dos novos diagnósticos), seguido dos casos de transmissão entre homens que têm sexo com homens (35%). A maioria das infeções acontece nos homens: sete diagnósticos positivos por cada três mulheres. Continuam a existir uma elevada percentagem de diagnósticos tardios.

De acordo com o relatório Portugal está próximo de alcançar a meta estabelecida pela ONUSIDA para 2020 de 90% dos casos de VIH diagnosticados, desta 90% em tratamento e destas últimas 90% com carga viral indetetável. Os dados do programa nacional relativos a 2016 apontam para 90,3% no primeiro caso, 91,3% no segundo e 88,2% no terceiro.

Esta tarde Cascais, Lisboa e Porto assinam protocolos para se tornarem cidades Via Rápida para eliminar o VIH. O objetivo ao assinarem a Declaração de Paris - iniciativa criada em 2014 e da qual fazem parte cidades de mais de 50 países - e tornarem-se Fast Track Cities é a criação de ações a nível municipal que ajudem a melhorar os dados nacional, com politicas direcionadas para deteção precoce, prevenção e melhoria de acesso aos cuidados de saúde.

1836 casos de tuberculose

No caso da tuberculose, Portugal continua a registar um decréscimo de casos. Foram notificados 1836 casos referentes a 2016, dos quais 1699 são novos casos (até 15 de abril de 2017). São os distritos de Lisboa e Porto que concentram a maioria das infeções.

"Estes dados representam uma taxa de notificação de 17,8 por 100 mil habitantes e uma taxa de incidência de 16,5 por 100.000 habitantes. Mantendo-se, como usualmente, uma redução da taxa de notificação e de incidência de cerca de 5% ao ano, prevê-se que os resultados definitivos sejam superiores e estimados numa taxa de notificação de 19,8 por 100 mil habitantes e numa taxa de incidência de 18 por 100 mil habitantes, o que, comparativamente com os dados referentes ao início do milénio, evidencia uma evolução francamente positiva. Efetivamente, no ano 2000, as taxas de notificação e de incidência situavam-se em valores próximos de 40%, conseguindo-se, neste intervalo de tempo, uma diminuição para menos de metade", reforça o relatório.

Cerca de 65% dos casos ocorreram em homens e a idade média dos doentes foi de 50 anos. No grupo etário com idade igual ou inferior a 5 anos foram notificados 19 casos de tuberculose, "tendo sido notificado um caso de tuberculose disseminada (em criança elegível para BCG)". Não ocorreu nenhuma morte neste grupo etário. Verificaram-se 19 casos (1%) de tuberculose multirresistente.

"No ano transato 240 (18,4%) dos casos ocorreram em pessoas nascidas fora do país. Esta proporção tem vindo a aumentar nos últimos anos. Estima-se que a taxa de incidência de TB na população estrangeira, em 2016, seja de 86,7 por 100.000 habitantes, ou seja, 4,8 vezes superior à incidência nacional estimada", salienta o relatório.

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