Maiores veleiros do mundo estão nas águas do Tejo

A Tall Ship Races 2016 está neste fim de semana em Lisboa, com as embarcações abertas à visita (gratuita) do público. Organização espera um milhão de visitantes

Mais habituada aos cruzeiros, Santa Apolónia vai ter neste fim de semana visitantes menos usuais - os maiores veleiros do mundo vão estar nas águas do Tejo, abertos à visita do público. Quatro anos depois, a Tall Ships Races volta a Lisboa e as expectativas estão altas. A organização espera cerca de um milhão de visitantes.

Aquele que é o maior festival náutico gratuito da Europa traz a Lisboa 60 veleiros de 15 nacionalidades e 5000 tripulantes. "Neste ano batemos vários recordes", diz João Lúcio, presidente da Aporvela - Associação Portuguesa de Treino de Vela, entidade que coorganiza o Tall Ship Races Lisboa 2016. "Temos a maior frota de sempre, temos navios de 15 bandeiras diferentes e conseguimos embarcar nestes veleiros cerca de 500 jovens portugueses", sublinha ao DN.

Entre os participantes estão seis navios nacionais, caso do Creoula, da Marinha, do Santa Maria Manuela ou da Vera Cruz, uma réplica exata das antigas caravelas portuguesas.

A Tall Ship Races saiu de Antuérpia (Bélgica) a 7 de julho. Após a paragem em Lisboa prossegue, na segunda-feira, para a cidade espanhola de Cádis, e termina na Corunha, no Norte de Espanha, onde os veleiros ficarão de 11 a 14 de agosto.

Uma das especificidades da Tall Ship Races é o facto de as tripulações dos veleiros terem de ser constituídas, obrigatoriamente, com "50% de jovens entre os 15 e os 25 anos - é uma premissa que existe desde a primeira regata". Ou seja, ao núcleo de tripulação dos veleiros juntam-se, a cada etapa da prova, grupos de jovens voluntários. O presidente da Aporvela, entidade que tem por missão promover a ligação das pessoas - em particular dos mais jovens - ao mar, sublinha a ligação de Lisboa à regata. "Esta ideia começou há 60 anos e a primeira regata foi de Torbay [Reino Unido] para Lisboa, foi a primeira capital do mundo a receber veleiros. Foi uma ideia do embaixador português em Londres, Teotónio Pereira." A iniciativa teve "um sucesso tão grande" que se repetiu, conta João Lúcio. Neste ano, um dos objetivos passa também por promover Lisboa como Capital Europeia do Atlântico.

Frente ribeirinha condicionada

Ao longo de 1,5 quilómetros, de Santa Apolónia ao Terreiro do Paço, ficará instalado até segunda-feira o Passeio dos Sete Mares - o recinto que será o grande palco do festival náutico e a partir do qual se poderá subir a bordo dos veleiros, e que estará aberto ao público entre as dez e a uma da manhã. Um "recinto de entrada livre", sublinha João Lúcio, acrescentando que também as "embarcações vão estar abertas gratuitamente à visita do público".

À espera de cerca de um milhão de visitantes, a organização recomenda vivamente que o acesso seja feito através de transportes públicos, dado não só tratar-se de uma zona com pouco estacionamento, mas sobretudo devido às obras que se estendem pela frente ribeirinha e que provocam condicionamentos no trânsito desde o Campo das Cebolas até ao Cais Sodré. No domingo à tarde, a partir das 15.00, as tripulações dos veleiros juntam-se num desfile desde a Praça dos Restauradores até à Praça do Município. À noite haverá um espetáculo de fogo-de-artifício. Na segunda-feira, a partir das 15.00, será o desfile náutico no Tejo, com a partida dos veleiros em direção a Cádis.

Um retorno de 10 milhões de euros

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, já disse que este é o maior "evento na cidade em 2016". A autarquia, que a par da Administração do Porto de Lisboa e do Lisbon Cruise Terminals, é uma das entidades organizadoras, já estimou que a iniciativa deverá gerar um impacto económico de cerca de dez milhões de euros na capital portuguesa. Na apresentação da iniciativa, na semana passada, Fernando Medina destacou, no entanto, que a grande mais-valia da passagem da regata por Lisboa não é a questão económica, mas a "projeção da cidade". "Vai ser televisionado por milhões de pessoas em todo o mundo. Tem esta capacidade de nos aproximar mais do mar, do Tejo e de corresponder a essa ambição identitária que as pessoas sentem", disse então o autarca.

Terminado a Tall Ship Races 2016, e porque as cidades "têm de se candidatar com um mínimo de quatro anos de antecedência" e se "digladiam para atrair estes navios", o presidente da Aporvela garante que o próximo passo será avançar com a candidatura à edição de 2020 do evento.

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