Mãe divulga vídeo de últimos dias do bebé para promover vacinação

Em Portugal, a vacina contra a tosse convulsa é administrada às crianças em cinco doses. Enquanto estão desprotegidos podem ser infetadas pelos pais

É um vídeo impressionante aquele que a australiana Catherine Hughes partilhou no Facebook. As imagens mostram os últimos dias de vida do seu filho, que acabou por morrer, em março do ano passado, com tosse convulsa. "Quem me dera ter sabido da vacinação na gravidez quando estava grávida do Riley", escreveu.

Catherine explica que, de início, não tencionava divulgar o vídeo, mas que decidiu fazê-lo "na esperança de convencer nem que seja uma única grávida a proteger o seu bebé" desta doença.

A tosse convulsa é uma infeção respiratória transmitida por uma bactéria, que provocou grande mortalidade até à introdução da vacina.

Em Portugal, a vacina entrou no Plano Nacional de Vacinação em 1965, sendo todas crianças vacinadas com cinco doses (aos 2, 4, 6 e 18 meses e aos 5/6 anos). Apesar da prevenção, a infeção tem vindo a aumentar na última década.

"Sabemos agora que a vacina perde efeito após quase duas décadas. Por isso, havia alguns adultos que tinham formas ligeiras de tosse convulsa. Isso só começou a verificar-se quando apareceram crianças doentes. Depois, quando analisávamos os adultos em contacto com a criança é que percebíamos que eram a origem", explicou Graça Freitas, subdiretora-geral de saúde ao DN em 2010, quando se constatou que os casos de tosse convulsa em Portugal estavam a aumentar de forma significativa.

De acordo com artigos publicados no DN nos últimos anos, que citam dados oficiais, em 2008 foram 69 os casos, o triplo do ano anterior. Em 2012 já foram 225 casos, na maioria antes de as crianças atingirem um ano. Em 2014, o número desceu para os 74, mesmo assim cinco vezes acima do registado em 2010. Por isso, a Direção-Geral de Saúde estava a ponderar, segundo notícia do verão do ano passado, vacinar as grávidas para proteger os bebés até à altura de serem vacinados.

A ideia era seguir o modelo inglês. Mas que também está em prática em dois estados da Austrália - Victoria, desde agosto, e Austrália Ocidental, desde a morte de Riley, em março -, segundo explica o The Guardian. "Quero que as pessoas saibam que a vacinação na gravidez significa que agora temos o poder de minimizar - se não parar completamente - as mortes por tosse convulsa".

"Quem me dera ter sabido da vacinação na gravidez quando estava grávida do Riley", realçou. "É incrível agora podermos proteger os nossos bebés antes de estes nascerem", rematou.

O DN contactou a Direção-Geral de Saúde para saber qual a situação atual da doença em Portugal e aguarda resposta.

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