Lusa. Negociações salariais terminam sem acordo e sindicatos vão pedir conciliação no Ministério do Trabalho
As negociações com o Conselho de Administração da Lusa para a revisão do Acordo de Empresa (AE) e aumentos salariais reivindicados para este ano terminaram sem acordo, anunciaram os sindicatos afetos à empresa.
Os sindicatos dos Jornalistas (SJ), dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE) e dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras e Atividades do Ambiente do Centro, Sul e Regiões Autónomas (SITE/CSRA) "irão refletir sobre futuras ações coletivas", lê-se no comunicado.
"As negociações entre os Sindicatos e o Conselho de Administração da Lusa, ocorridas desde junho com vista a obter um acordo para assinar um protocolo negocial de revisão do Acordo de Empresa (AE) e aumentos salariais previstos no caderno reivindicativo de 2026, terminaram hoje sem acordo", referem os sindicatos, criticando que, "apesar da abertura negocial" das estruturas sindicais nos últimos três meses "e de relativos avanços entre as partes, a administração persiste na chantagem de condicionar os aumentos de 2026 e respetivos retroativos à celebração de um novo AE com condições particularmente gravosas para os trabalhadores".
Os sindicatos acusam o Conselho de Administração da agência de notícias de "intransigência", tendo comunicado que "vão requerer a conciliação no Ministério do Trabalho, nos termos da alínea b) do n.º 3 do artigo 523.º do Código do Trabalho, tendo em vista a obrigar o CA a negociar sem chantagens os aumentos salariais de 2026 e respetivos retroativos".
Em junho, prosseguem, "depois da denúncia hostil" do AE, em 28 de maio, "e da manifesta falta de vontade da administração em retirar essa denúncia – tal como foi exigido em plenário pelos trabalhadores no dia 02 de junho de 2026 –, os Sindicatos requereram a arbitragem para a apreciação dos fundamentos da denúncia do atual AE no Conselho Económico e Social (CES)".
Contudo, apesar do "exercício deste direito em defesa dos trabalhadores da Lusa, os sindicatos mantiveram sempre disponibilidade negocial com a administração e, como sinal de boa-fé, propuseram suspender o processo no CES e encetar negociações diretas para a revisão do AE", salientam.
Tendo em conta essa proposta dos sindicatos, a administração "admitiu inclusivamente revogar a denúncia do AE e negociar diretamente, mas impôs um conjunto de condições negociais que, ao longo do processo, não obstante alguns avanços, se revelaram inaceitáveis para sequer dar início a um processo de negociação do AE".
Os sindicatos sublinham, no comunicado, que só por sua iniciativa "é que houve um diálogo, ainda que frustrado, nos últimos meses".
O objetivo, enfatizam os sindicatos, "foi auxiliar o Conselho de Administração a encontrar um caminho para reverter a denúncia e subsequente caducidade do AE, abrindo uma possível via negocial que contribuísse, no imediato, para a paz social na Lusa", referindo que a própria administração "admitiu que há recursos financeiros para negociar aumentos salariais adicionais relativos a 2026".
Mas, "dada a irredutibilidade da administração em condicionar esses aumentos salariais de 2026 e respetivos retroativos à celebração de um novo acordo, não foi possível, sequer, assinar um protocolo".
Os sindicatos salientam que "a assinatura de um protocolo negocial assente numa chantagem seria uma traição aos trabalhadores da Lusa".

