Todos os arguidos do processo ‘Saco Azul’, incluindo o ex-presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, foram absolvidos esta quinta-feira, 23 de abril, com o tribunal a apontar dúvidas sobre a acusação.“Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos”, disse o juiz do tribunal de Lisboa.Para o tribunal ficam dúvidas sobre o que foi feito pelo empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, de que era proprietário, uma vez que o Ministério Público indicou na acusação a existência de contratos alegadamente simulados e celebrados entre a empresa Questãoflexível e a Benfica Estádio e pagos por esta e pela Benfica SAD.“A questão tem que ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida”, explicou o juiz, acrescentando que “há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra”.Além de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica entre 31 de outubro de 2003 e 15 de julho de 2021, foram também absolvidos os restantes arguidos: o ex-diretor executivo (CEO) do Benfica Domingos Soares de Oliveira, o ex-diretor financeiro do clube Miguel Moreira, o proprietário da Questãoflexível, José Bernardes, outros dois suspeitos de terem ajudado este no esquema, José Raposo e Paulo Silva e ainda a Benfica SAD e a Benfica Estádio."[Estou] muito satisfeito. Foram dez anos de um processo que termina hoje. É um resultado que esperávamos e desejávamos. (...) Dez anos é muito tempo em tudo. E no desporto envolve muito mais do que imagem pública, envolve também as áreas desportivas todas", afirmou o atual presidente do clube, Rui Costa, que falou numa "vitória para o Benfica", mas salientou que não deve ser "apagado tudo o que o Benfica foi prejudicado nos últimos dez anos". "Foi feita justiça e o nome do Benfica foi ilibado", acrescentou. Os crimes em causa estão relacionados com um alegado esquema, entre 2015 e 2018, dos arguidos para, com recurso a contratos fictícios de consultadoria informática, retirarem do Benfica mais de 1,8 milhões de euros, que depois terão, em grande parte, regressado ao clube em numerário.Perante a acusação do Ministério Público e depois de toda a prova analisada na fase de julgamento, o tribunal considerou que “não é possível, a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm” chegar a uma conclusão livre de dúvidas.