Loja pede desculpa e retira venda de "fato de refugiado"

A Casa do Carnaval tinha disfarce para meninos a que chamou "fato de refugiado". Esteve online e na loja à venda, mas acabou retirado depois de ser alvo de críticas

Um menino vestido com uns calções e casaco verde e uma etiqueta na lapela. Este era o "fato de refugiado" que a Casa do Carnaval, em Lisboa, tinha à venda na sua loja online e física. Tinha, porque depois das críticas de que foi alvo pela SOS Racismo, acabou por retirar o fato da loja e já o devolveu ao fornecedor.

Nuno Santos, o responsável pela loja portuguesa, explicou ao DN que "tudo não passou de um erro da nossa parte, da parte do funcionário que estava a colocar os produtos no site que achou que devia catalogar assim aquele disfarce". Um lapso que "não tinha intenção de ofender ninguém", aponta o gerente, lembrando que a casa centenária "tem um nome a defender". "Não iríamos de forma alguma meter uma coisa destas para ofender ninguém. Já retirámos o fato da venda e até já o devolvemos ao fornecedor."

Nuno Santos não soube indicar há quanto tempo estava o fato à venda, indicando apenas que foram alertados esta manhã por um cliente para a forma como a máscara estava catalogada online. Antes de ser retirada do site, a máscara foi catalogada como "fato escolar", mas acabou por ser totalmente retirado.

O disfarce, que custava 15 euros, retrata as crianças refugiadas da II Guerra Mundial que, entre 1938 e 1939, foram enviadas pelos pais da Alemanha para Inglaterra. A etiqueta trazia o número que lhes era atribuído na viagem.

De manhã, a associação SOS Racismo colocou um post na sua página do Facebook onde criticava o facto da Casa do Carnaval ter esta máscara à venda. "Esta loja acha que um refugiado pode bem ser um tema de brincadeira de carnaval, um belo disfarce para as crianças usarem e para se divertirem em alegres brincadeiras", escreveu. Nesse post, a SOS Racismo disse repudiar esta iniciativa.

Entretanto, a SOS Racismo referiu ao P3 que com a retirada do mercado, a situação está assim "resolvida". A venda deste disfarce foi também criticada no Facebook pelo deputado do Bloco de Esquerda Luís Monteiro, que classificou de "asqueroso e revoltante".

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