Linha SNS 24: atendimentos  aumentaram 58,9% entre 2024 e 2025 e esperas superiores a meia hora multiplicaram-se
Miguel Pereira/Global Imagens

Linha SNS 24: atendimentos aumentaram 58,9% entre 2024 e 2025 e esperas superiores a meia hora multiplicaram-se

Os atendimentos da Linha SNS 24 aumentaram 58,9% entre 2024 e 2025, mas a maior procura agravou os tempos de espera, com o número de chamadas que aguardaram mais de 30 minutos a subir de 58.525 para 466.751, revelou hoje a Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
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O número de chamadas atendidas pela Linha SNS 24 aumentou 58,9% entre 2024 e 2025, mas o crescimento da procura foi acompanhado por um agravamento dos tempos de espera: as chamadas que demoraram mais de 30 minutos a ser atendidas subiram de 58.525 para 466.751, segundo um estudo hoje divulgado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

O documento analisa o impacto do projeto “Ligue Antes, Salve Vidas” no acesso aos cuidados de saúde. A iniciativa foi lançada em 2023, como projeto-piloto, pela Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) e encontra-se atualmente em funcionamento na generalidade dos hospitais públicos, com o objetivo de reduzir a pressão sobre os serviços de urgência.

De acordo com a ERS, o aumento de 58,9% refere-se às chamadas atendidas pelo Serviço de Triagem, Aconselhamento e Encaminhamento (STAE) da Linha SNS 24, que inclui os atendimentos realizados no âmbito do projeto.

A entidade reguladora conclui, contudo, que a maior utilização da linha foi acompanhada por uma deterioração dos tempos de resposta, com um crescimento significativo das chamadas cuja espera ultrapassou os 30 minutos em 2025. Nesse ano, foram contabilizadas 466.751 chamadas nessa situação, quase oito vezes mais do que as 58.525 registadas em 2024.

Quanto à orientação clínica prestada pela Linha SNS 24, os encaminhamentos para Cuidados de Saúde Primários (CSP) aumentaram 3,7 pontos percentuais entre o último trimestre de 2024 e o período homólogo de 2025. Em sentido contrário, os encaminhamentos para autocuidados diminuíram 1,9 pontos percentuais.

Embora a maioria das referenciações para os cuidados primários tenha resultado na marcação de uma consulta, a ERS identificou uma descida da percentagem de episódios com agendamento efetivo de consulta aberta e um aumento das situações encaminhadas para teleconsulta.

Nos encaminhamentos para cuidados de saúde hospitalares, foram registados níveis muito elevados de referenciação para os serviços de urgência ou para consulta aberta hospitalar, com valores iguais ou próximos de 100%.

Ainda assim, em 2025 aumentaram em 0,7 pontos percentuais as situações em que os utentes recusaram a referenciação. Os episódios sem referenciação devido a constrangimentos técnicos também cresceram 0,1 pontos percentuais, embora ambos os casos continuem a ter um peso relativo residual.

Na avaliação da adequação da orientação clínica, a ERS verificou que apenas uma pequena percentagem das consultas não programadas resultantes de referenciações da Linha SNS 24 terminou num posterior encaminhamento para os serviços de urgência.

Em contrapartida, aumentaram em 2025 os episódios inicialmente referenciados para as urgências que, depois da triagem hospitalar, foram reencaminhados para os cuidados de saúde primários. Essa situação ocorreu sobretudo nos casos classificados com prioridade “Pouco Urgente”, numa proporção de 6,2%, e “Não Urgente”, com 16,8%.

O estudo aponta também para um aumento muito significativo da utilização dos cuidados de saúde primários. Apesar de a Linha SNS 24 continuar a ser a principal via de encaminhamento, a sua proporção no total de consultas não programadas diminuiu progressivamente em 2025, ao mesmo tempo que aumentaram os episódios agendados diretamente pelos utentes ou através de outras vias.

Segundo a ERS, esta evolução poderá traduzir uma adaptação gradual dos utentes ao novo modelo de organização.

A entidade destaca ainda a capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários que, apesar do crescimento expressivo da procura, mantiveram tempos reduzidos de espera nas consultas não programadas. Mais de 90% realizaram-se nas primeiras 24 horas após a referenciação.

A análise aos episódios de urgência segundo a origem da admissão revela igualmente uma mudança de padrão. Entre o primeiro trimestre de 2024 e o último trimestre de 2025, a proporção de episódios realizados por iniciativa dos próprios utentes caiu 16,4 pontos percentuais.

No mesmo intervalo, o peso dos episódios com origem na Linha SNS 24 cresceu 10,5 pontos percentuais, uma evolução que a ERS considera consistente com a implementação do “Ligue Antes, Salve Vidas”.

Em 2025, os serviços de urgência registaram menos 71.078 episódios do que no ano anterior, redução associada aos casos com prioridades clínicas de menor gravidade.

Os resultados sugerem, assim, uma alteração na procura, com um maior peso relativo dos episódios urgentes e muito urgentes. Mantém-se, porém, uma utilização significativa dos serviços de urgência em situações de menor prioridade clínica: os casos classificados como “Pouco Urgente” ou “Não Urgente” representaram 31,3% do total em 2025.

Nas entidades abrangidas pelo projeto, os dados apontam, ainda assim, para uma redução da percentagem de episódios de urgência com baixa prioridade clínica.

A análise das reclamações apresentadas pelos utentes permitiu, contudo, identificar constrangimentos recorrentes na operacionalização do projeto. Perante esses problemas, a ERS emitiu uma instrução aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), centrada na qualidade e efetividade da referenciação, na articulação operacional do modelo e na capacidade de resposta da Linha SNS 24 durante períodos de maior pressão assistencial.

A entidade reguladora dirigiu também uma recomendação às 27 Unidades Locais de Saúde abrangidas pelo projeto. O objetivo é assegurar o cumprimento das regras de acesso e impedir que os mecanismos de referenciação prévia se transformem num obstáculo à prestação de cuidados de saúde adequados, integrados e disponibilizados em tempo clinicamente aceitável.

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