Há famílias que ainda não conseguiram iniciar processo de levantamento do corpo da morgue do hospital por falta de condições.
Há famílias que ainda não conseguiram iniciar processo de levantamento do corpo da morgue do hospital por falta de condições. Reinaldo Rodrigues

Leiria. Morgue do hospital está a encher por dificuldade no levantamento de cadáveres. ULS diz que "capacidade não está esgotada"

Desde a depressão Kristin, que a morgue do hospital de Leiria está a encher com os cadáveres de doentes que faleceram dentro do hospital e que as famílias não vão levantar. Ou porque tem sido difícil avisá-las, devido à falta de comunicações, ou porque quando são informadas não têm condições para o fazer. A ULS garante que “a situação dos óbitos ocorridos dentro do hospital está a ser permanente monitorizada”, e "a capacidade não está esgotada".
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Ao fim de 48 horas da passagem da depressão Kristin pela região Centro, o Hospital de Santo André, em Leiria, que tem estado a funcionar com o apoio de geradores, pela falta de eletricidade, depara-se com outro problema. O que fazer aos óbitos ocorridos dentro do hospital? – mortes que não têm a ver com o temporal, mas de doentes já internados na unidade. Ao DN fontes da Saúde garantem que “a morgue dentro da unidade é pequena e a sua capacidade está esgotada. A ULS já pediu ajuda à Direção Executiva para resolver o problema”.

Um problema que tem vindo a avolumar, segundo as nossas fontes, porque "não tem sido fácil informar as famílias da morte do doente e que venham levantar o corpo, que acaba por ficar na morgue. Ou porque quando se consegue avisar a família, por vezes, esta não tem forma de ir à morgue para resolver a situação", dizem. "Ou porque têm tudo destruído e ficaram sem carro ou porque ainda não conseguem chegar à cidade", relataram ao DN, sublinhando que “a morgue está a encher há vários dias”.

O DN confrontou a administração da ULSRL com estas questões, que nega que “a capacidade da morgue esteja esgotada”, garantindo que está, “desde a primeira hora do evento meteorológico associado à depressão Kristin, a gerir a situação dos óbitos ocorridos no Hospital de Leiria em estreita articulação com a Direção Executiva do SNS e com o apoio do Instituto Nacional de Medicina Legal”.

Na resposta enviada ao DN, a ULSRL diz mesmo que “a capacidade da morgue do Hospital de Leiria não se encontra esgotada, estando a situação a ser acompanhada e gerida com todo o cuidado, rigor e atenção, de acordo com os procedimentos definidos para este tipo de ocorrências”.

Sobre a razão para o acumular de óbitos na morgue do hospital, a ULSRL explica que “tem desenvolvido todos os esforços para garantir a comunicação atempada, tendo em conta as limitações pontuais de rede e comunicações verificadas na região na sequência do evento meteorológico”, assumindo que “sempre que as famílias são informadas e não é possível proceder de imediato ao levantamento do corpo, essa situação decorre de constrangimentos externos ao hospital, relacionados com o contexto vivido na cidade.”

Para fontes do setor da região, a situação “é uma preocupação desde o primeiro momento, mas não é só a questão da capacidade da morgue estar esgotada, é também uma preocupação para que não se torne numa situação social grave. As famílias que não têm condições para ir levantar o corpo do doente, se calhar deveriam ser apoiados”, argumentam ao DN.

No entanto, a ULSRL reforça ao DN que “a situação é permanentemente monitorizada e estão a ser acionados todos os meios necessários para assegurar uma resposta adequada, em articulação com as entidades competentes, garantindo o respeito pelos doentes falecidos e pelas suas famílias.”

A vice-presidente da Fnam comenta ao DN que “é mais uma situação que surge da depressão Kristin, mas que reflete o estado das infraestruturas na Saúde”. Joana Bordalo e Sá admite que se trata de “uma situação muito sensível”, criticando “a forma insensível como o governo de Luís Montenegro tem estado a passar a mensagem à população de que está a fazer alguma coisa. Não é uma mensagem empática nem solidária para com as vítimas, familiares, utentes e até profissionais da Saúde que têm estado a assegurar todas as situações”, afirmou ao DN.

A dirigente sindical, que já ontem tinha criticado a ausência da ministra da Saúde, ausente em Cabo Verde, volta a fazê-lo, nesta sexta-feira, dia 30, ao DN, dizendo que “é absolutamente inaceitável não ter havido uma palavra da ministra sobre a situação e até a sua ausência numa situação destas”.

Recorde-se que o ministro da Presidência, Leitão Amaro, esteve nesta sexta-feira em Leiria a visitar zonas atingidas pela depressão Kristin, e em particular a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, assumindo que "a dimensão dos prejuízos é brutal, como creio que todos podem observar, em todas as dimensões, desde as infraestruturas públicas ao património natural". Com o diretor-executivo ao lado, Leitão Amaro aproveitou para elogiar a resposta dada pelo SNS.

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