Seca e ondas de calor. Assim poderá ser 2018

Se não chover abundantemente no inverno, as consequências "serão muito gravosas para o país", diz especialista em alterações climáticas


É difícil prever como será 2018 no capítulo do clima, uma vez que não é possível fazer previsões meteorológicas fiáveis para mais de dez dias nem antever com antecedência os eventos extremos potenciados pelas alterações climáticas. Quem o diz é Filipe Duarte Santos, especialista no tema. No entanto, segundo o presidente do Conselho Nacional do Ambiente, existe o risco de os portugueses se verem novamente confrontados com seca e ondas de valor.

Os efeitos das alterações climáticas manifestam-se a médio/longo prazo. "É um processo lento. Já se notam efeitos e estes vão-se agravando, mas demoram décadas", explica. Um deles é a diminuição da precipitação, que se manifesta em fenómenos como a seca. Para o país, prossegue, este é o efeito "mais preocupante" e que poderá ter um impacto "mais significativo" no próximo ano. "Já dura há 16 meses e não sabemos quando vai acabar." É expectável que chova abundantemente no inverno e na primavera, "mas, se não chover, as consequências são muito gravosas para o país".

No que diz respeito às previsões meteorológicas, e embora existam sites com previsões a 30 ou 90 dias, "só conseguimos prever o tempo a dez dias". A nível global, assistiu-se a um aumento de um grau da temperatura média desde o período pré-industrial. Com o Acordo de Paris, a comunidade internacional comprometeu-se a que não aumente mais do que dois. "É urgente evitar que continue a aumentar, mas, efetivamente, tem aumentado. As ondas de calor são agora mais frequentes. Tivemos um exemplo disso e, muito provavelmente, vamos continuar a ter", prevê Filipe Duarte Santos. Também a erosão costeira vai continuar a merecer especial atenção no próximo ano. "O nível médio do mar está a subir, tendo aumentado 20 centímetros desde o início do século passado, o que aumentar a erosão, que já se faz sentir na nossa costa", alerta o especialista.

Já no que diz respeito ao combate às alterações climáticas, "todos os anos vão ser importantes para o futuro". "É importante que todos os países reduzam as suas emissões de gases com efeitos estufa. Portugal tem como objetivo reduzir as emissões entre 30% e 40% até 2030", sublinha o docente universitário. Reconhecendo que "será um esforço enorme", Filipe Duarte Santos lembra que é necessário deixar de usar centrais térmicas a carvão. Além disso, todos podem fazer "um esforço de mitigação através de um uso mais eficiente de energia, de uma mobilidade sustentável e de uma maior utilização das energias renováveis, quer por parte dos particulares quer das instituições públicas".

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