Portuguesa recebe prémio internacional pela segunda vez

Inês Lains desenvolveu técnica para seguir pacientes com doença oftalmológica que pode levar à cegueira e conquistou o Evangelos S. Gragoudas Award, nos Estados Unidos. Já no ano passado ganhou o mesmo prémio

A médica e investigadora portuguesa Inês Lains desenvolveu uma técnica inovadora que permite avaliar, através de um simples teste sanguíneo, a probabilidade de uma degenerescência macular relacionada com a idade (DMI), uma doença dos olhos, evoluir para a cegueira num determinado doente. Com isso, ganhou o Evangelos S. Gragoudas Award, que distingue o melhor artigo científico publicado pelo serviço de oftalmologia da Harvard Medical School, nos Estados Unidos.

Para a investigadora, o prémio é tanto mais especial quanto este é o segundo ano consecutivo que o conquista, uma proeza só igualada por outros dois médicos antes dela. A cerimónia de entrega do prémio decorreu hoje.

A técnica usada por Inês Lains nunca tinha sido experimentada antes no estudo da DMI, mas o seu potencial ficou agora demonstrado. "Utilizámos uma técnica nova que permitiu identificar biomarcadores no sangue que distinguem pessoas com DMI, [comparando-os com pessoas da mesma idade sem a doença], bem como as diferentes fases da doença", explica a médica e investigadora, que acredita que a técnica poderá ser aplicada no futuro, tanto para avaliar os doentes, como para estudar novos alvos de tratamento nesta área.

A DNI é uma das principais causas de cegueira em pessoas com mais de 50 anos nos países desenvolvidos. Como explica Inês Lains, trata-se "uma doença complexa, que envolve tanto fatores genéticos como ambientais e, talvez pela sua complexidade, não se compreende bem como estes fatores interagem e não existem, até à data, formas de identificar quem são os indivíduos com maior risco de desenvolver esta doença". A tecnologia que testou vem agora alterar isso, e daí a distinção.

No ano passado, Inês Lains já tinha conquistado este prémio, por ter desenvolvido um teste rápido para a doentes com DMI que permite identificar a presença de determinadas lesões oculares associadas a um maior período de tempo necessário para a capacidade de ver no escuro.

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Henrique Burnay

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Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.