Os alertas de Hawking: temos 100 anos para encontrar um novo planeta e os riscos da IA

Quanto tempo resta aos humanos na Terra? E quais os perigos da inteligência artificial? Stephen Hawking debruçou-se várias vezes sobre estes dois temas

Uma das mentes mais brilhantes da sua geração, Stephen Hawking habituou o mundo a parar para ouvir as suas palavras e, nos últimos anos, dois alertas sobressaíram: estamos a esgotar os recursos do planeta e precisamos de procurar um novo lugar para sobreviver; e ainda que temos de estar atentos aos riscos da Inteligência Artificial (IA).

Hawking considerava que os humanos não vão conseguir sobreviver mais de mil anos no planeta Terra e que por isso devem insistir na exploração espacial, para procurar outros locais para viver e escapar à "frágil Terra". Numa conferência em Oxford (Reino Unido), em 2016, Hawking pintou um retrato sombrio para o futuro da Terra, que repetiu no ano seguinte, num festival na Noruega em que o tema eram as viagens espaciais: "Estamos a ficar sem espaço, nem recursos. Temos de deixar a Terra."

Aliás, Hawking estava envolvido num projeto para tentar chegar a um planeta similar à Terra, localizado na estrela Alfa Centauri B, um feito que só será possível se se desenvolver tecnologia para aumentar a velocidade das viagens espaciais, para cobrir distâncias longas no espaço. No programa da BBC "O mundo de Amanhã", o físico disse mesmo acreditar que temos 100 anos para procurar um novo planeta se quisermos que a espécie humana sobreviva.

Já em novembro do ano passado, como convidado surpresa na Web Summit, por videoconferência, o físico falou de inteligência artificial, alertando que irá transformar "todos os aspetos das nossas vidas", mas que "não sabemos simplesmente se seremos ajudados ou ignorados" pela inteligência artificial. "Há o potencial de este ser o principal risco para a humanidade, como as armas automáticas. Também pode criar disrupção na economia", disse. No entanto - porque "somos os cientistas" - "temos de desenvolver a ideia. É preciso maximizar o sucesso da inteligência artificial na sociedade".

Apesar dos avisos, Hawking temperava as suas palavras com o seu otimismo e curiosidade pelo universo, que o terá com certeza ajudado a surpreender os médicos ao viver mais de 50 anos com esclerose lateral amiotrófica. O físico morreu nas primeiras horas desta quarta-feira, aos 76 anos.

"Lembrem-se de olhar para cima para as estrelas e não para baixo para os vossos pés. Tentem perceber o que veem e perguntarem-se sobre o que faz o universo existir. Sejam curiosos. E por muito difícil que a vida possa parecer, há sempre algo que podem fazer e serem bem-sucedidos. O importante é que não desistam."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.