Obesidade em menores de 20 anos quase triplicou em Portugal entre 1980 e 2015

Estudo indica que a taxa de obesidade passou dos 3% para os 8%

A taxa de obesidade em menores de 20 anos quase triplicou em Portugal entre 1980 e 2015, passando de 3% para 8%, mostra um estudo internacional do qual faz parte o investigador da Universidade Católica do Porto, João Fernandes.

Em relação à população adulta, as estatísticas analisadas indicam que a obesidade afeta mais adultos do sexo feminino do que do sexo masculino (22% e 17%, respetivamente), disse à Lusa o especialista do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica.

O estudo, centrado na análise e na interpretação dos níveis de obesidade e excesso de peso ao longo dos últimos 25 anos, bem como na identificação dos principais problemas de saúde associados a um Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, resulta de um projeto internacional que envolve 195 países.

De acordo com o investigador, em Portugal as mulheres entre os 20 e os 24 anos registam a taxa mais baixa de obesidade (1.9%) de todas as faixas etárias, enquanto a mais elevada verifica-se entre os 65 e 69 anos (20% nos homens e 37% nas mulheres).

Outra das conclusões deste estudo demonstra que, a nível mundial, em 2015 cerca de 107,7 milhões de crianças e 603,7 milhões de adultos sofriam de obesidade, registando-se um número mais elevado de obesidade nas mulheres, em todas as faixas etárias, indicou.

Quanto ao pico de obesidade, também na globalidade, este foi observado entre os 60 e 64 anos (nas mulheres) e entre os 50 e 54 anos (nos homens).

O estudo revelou ainda que, em 2015, aproximadamente quatro milhões de pessoas morreram devido a doenças relacionadas com excesso de peso. No entanto, apenas 60% eram tecnicamente obesas, ou seja, tinham o IMC igual ou superior a 30.

Segundo o especialista, estes resultados mostram que devem ser tomadas medidas para fazer face à obesidade e ao excesso de peso, cuja prevalência é elevada em Portugal, assumindo-se como um fator de risco para os problemas cardiovasculares, diabetes ou múltiplos tipos de cancro.

João Fernandes participa neste projeto internacional, coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e conta atualmente com cerca de 2.300 colaboradores, desde 2014.

Em Portugal, os dados para elaboração do estudo foram recolhidos a partir do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Direção-Geral de Saúde, dos hospitais de São João e Santa Maria, de artigos científicos, de estudos elaborados pelo Governo, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da UNICEF.

Os dados são enviados para os EUA, onde é realizada uma análise estatística desses números, cujos resultados, revistos por especialistas de diversas áreas associados ao projeto, dão origem a artigos que têm como objetivo auxiliar as instituições a direcionar algumas políticas, esclareceu ainda o investigador.

Este estudo sobre a obesidade e o excesso de peso foi publicado recentemente na revista científica 'The New England Journal of Medicine'.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?