Ministro do Ambiente desvaloriza saída dos EUA do Acordo de Paris

O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, desvalorizou esta noite que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre alterações climáticas, argumentando que a decisão do Presidente Trump "é um sobressalto, mas não há forma de voltar atrás".

"É óbvio que estes sinais são negativos. São sinais de quem quer estar do lado errado da história, mas tenho a certeza que a história se sobreporá a estes sinais", disse João Matos Fernandes na segunda-feira à noite, durante um jantar debate sobre as implicações do Acordo de Paris e as Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas, promovido pela Associação Industrial do Distrito de Aveiro.

O ministro do Ambiente referiu-se à decisão do presidente Donald Trump com uma "preocupação relativa", adiantando que "já não há regresso a uma Economia baseada no carvão".

"Estamos a falar de um país que é muito maior do que a sua administração", disse, sublinhando os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos pela comunidade científica e pelas empresas norte-americanas no cumprimento das metas ambientais.

Referindo-se ao Acordo de Paris como "um marco fundamental na definição do futuro", o ministro do Ambiente realçou que é preciso apostar na "economia circular", defendendo que "é necessário deixar de ser consumidores para passar a ser utilizadores".

"Temos que apostar em construir bens que mantenham o seu valor económico por um período de tempo muito mais alargado. Não podemos continuar a acreditar que os recursos materiais existem para fabricar tudo aquilo que precisamos e precisaremos, sobretudo num mundo onde a classe média é cada vez maior e a população aumenta expressivamente", explicou.

Quanto aos desafios no domínio da produção da energia, Matos Fernandes considerou que são "muito exigentes", mas mostrou-se otimista que Portugal conseguirá "sem sobressaltos" chegar aos 80% da energia elétrica produzida através de fontes renováveis em 2030.

"Posso jurar o nosso total empenho em que isso aconteça. Não posso jurar que o vamos conseguir, mas acredito firmemente que sim, sobretudo agora com o advento da produção solar", disse.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.