Mais de mil pessoas continuam sem comunicações

Moradores de Oliveira do Hospital sentem-se abandonados. MEO garante estar a fazer tudo
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Um mês e meio depois dos incêndios que assolaram o país no que foi considerado "o pior dia do ano", há populações que ainda não viram regularizadas as comunicações. É o caso dos habitantes da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira (Oliveira do Hospital), que a 18 de novembro endereçaram uma carta conjunta aos presidentes executivos da MEO, Vodafone e NOS. No documento seguiam descritos os constrangimentos que a privação contínua dos serviços que a empresa MEO presta e o perigo "em que a displicência dessa mesma empresa nos coloca", devido ao elevado número de infraestruturas que ainda se encontram no estado em que estavam na manhã do dia 16 de Outubro. A verdade é que as outras operadoras responderam, mas a MEO não.

"Ignorou os seus clientes, os clientes já privados dos seus serviços há mais de um mês", sublinha a carta, assinada pelos moradores daquela União de Freguesias. Ao todo, estima-se que mais de 1000 pessoas esteja ainda privada de telefone, televisão e internet. "Tudo o que tenha a ver com cabo, não funciona", disse ao DN um dos moradores, ao final do dia de ontem. Entretanto, aguardam igualmente resposta por parte do Presidente do Conselho de Administração da ANACOM, à queixa entretanto formulada.

Já depois de confrontada pelo DN com esta questão, a MEO acabaria por reunir com o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, na segunda-feira passada. "As infraestruturas da rede central e rede móvel na zona geográfica de incidência dos incêndios, encontram-se repostas, tendo essa reposição ocorrido num período de menos de 2 semanas. Neste momento a larga maioria dos clientes afetados já têm comunicações", respondeu a MEO, dando conta que atualmente está focada "nos trabalhos de âmbito da rede local, com especial incidência na rede fixa de acesso nas povoações mais remotas e isoladas", disse ao DN fonte oficial da empresa.

"Para que tenhamos uma noção da dimensão e afetação dos serviços nos incêndios, comparemos as duas grandes vagas registadas: entre junho e setembro registamos mais de 1.300 Km de cabo ardido e 15.000 postes destruídos; nos incêndios de Outubro - registámos mais de 2.500 km de cabo ardido e 30.000 postes que arderam", acrescenta a mesma fonte, concluindo que "os trabalhos de reposição da rede de acesso têm especial relevância na reconstrução de traçados aéreos, muito extensos nas zonas mais periféricas". Na reunião desta semana com os autarcas locais, a empresa deixou a promessa de os compensar com a colocação da fibra ótica, até agora inexistente naquela região.

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