Faltam cinco dias para estação espacial chinesa atingir a Terra

As últimas previsões apontam para que seja a 1 de abril que os detritos da estação espacial chinesa, Tiangong-1, atinjam a Terra. A maior parte deverá desintegrar-se na reentrada na atmosfera

A estação espacial chinesa, Tiangong-1, de oito toneladas, deverá cair na Terra a 1 de abril. Não, não é uma partida do dia das mentiras. A maior parte da estação deverá ser consumida na reentrada da atmosfera terrestre, devido às altas temperaturas, mas é provável que algumas partes consigam sobreviver e atingir o Planeta.

Fora de controlo desde 2016, o laboratório especial chinês, também conhecido por "Palácio Celestial", deverá reentrar na atmosfera no próximo fim-de-semana, de acordo com as últimas estimativas da ESA. Uma estimativa, que diz o organismo, é "altamente variável".

Há razões para ficar preocupado?

As possibilidades de ser atingido por um detrito do Tiangong-1 são zero, refere o The Guardian. "Se qualquer uma das estações espaciais chegar à superfície, é improvável que acerte em pessoas", refere o jornal britânico.

Aliás, a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) já referiu que não há registo de uma pessoa ter sido ferida por lixo espacial.

"Existe mais probabilidade de se ser atingido por um carro ao atravessar uma rua de Sydney hoje do que de ser atingido pela estação espacial chinesa", garante o engenheiro espacial Wareick Holmes, diretor executivo do Departamento de Engenharia Espacial da Faculdade de Aeronáutica da Universidade de Sidney. Citado pelo site ABC News, este especialista refere que cerca de 70% da Terra é coberta por água e, por isso, há poucas hipóteses de os detritos da Tiangong-1 caírem em solo terrestre.

Segundo o The Guardian, a China não revelou todos os pormenores sobre a estação espacial, pelo que se torna difícil de perceber quais as partes que podem sobreviver às altas temperaturas que se fazem sentir na reentrada da atmosfera terrestre.

Onde vai cair?

A ESA prevê que a reentrada na atmosfera possa acontecer sobre qualquer ponto da terra entre as latitudes 43ºN e 43ºS. "Áreas acima ou abaixo destas latitudes estão excluídas", pode ler-se na última informação atualizada na página da Agência Espacial Europeia.

Portugal está, por isso, na zona de maior risco de impacto dos detritos da estação espacial chinesa.

Especialistas acreditam que há mais probabilidades de os destroços de Tiangong-1 caírem em zonas remotas na Austrália.

O especialista espacial norte-americano William Ailor, citado pelo ABC News, afirma que será possível ver no céu os detritos da estação espacial como se fossem pequenas bolas de fogo em Adelaide, Camberra, Melbourne e Sidney. "É como um meteorito, mas é muito mais pequeno. Por isso é uma imagem bonita de se ver", diz.

O que é Tiangong-1?

É a primeira estação espacial chinesa, lançada no espaço em setembro de 2011. Pesa cerca de oito toneladas e mede 12 metros de comprimento. É descrita por um conselheiro da NASA, aquando do seu lançamento, como "um potente símbolo político" do país e parte de um ambicioso projeto científico da China em tornar-se uma superpotência espacial.

Tiangong-1 é composta por dois módulos laboratoriais para experiências, revelou, em 2011, a agência de notícias chinesa Xinhua. Foi criada para durar uma década e apoiar astronautas em vários trabalhos científicos.

A estação espacial recebeu várias missões, numa das quais fazia parte a primeira mulher chinesa astronauta, Liu Yang, em 2012.

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