Cientistas alarmados com aumento "louco" de temperaturas no Ártico

Na Gronelândia registaram-se valores mais quentes do que em Londres e em Zurique

Se está frio, chuva e neve em Portugal, bem como no resto da Europa, no Ártico uma onda de calor em pleno inverno está a alarmar os cientistas, que estão a reconsiderar as suas previsões mais pessimistas sobre as mudanças climáticas.

As temperaturas no Ártico bateram recordes este mês e os cientistas alertam para um aumento sem precedentes. Os especialistas admitem que este possa ser um evento isolado, mas a principal preocupação é sobre a forma como o aquecimento global está a corroer o vórtice polar - a gigantesca massa de ar gelado que fica estacionada sobre os polos.

Sem luz solar até março, o Polo Norte está, no entanto, a receber um fluxo de ar quente que tem feito as temperaturas na Sibéria subirem até 35 graus Celsius acima da média durante o mês de fevereiro.

A Gronelândia já ficou 61 horas acima do nível de gelo em 2018 - três vezes mais horas do que em qualquer ano anterior.

Segundo o jornal The Guardian, vários cientistas experientes têm descrito este fenómeno como "louco", "estranho" e "simplesmente chocante".

"Esta é uma anomalia entre as anomalias ", disse Michael Mann, diretor do Earth System Science Center da Universidade da Pensilvânia. "O Ártico está a enviar-nos um aviso claro", disse o cientista.

Enquanto os media descrevem como o inverno, este ano, está especialmente rigoroso na Europa, a verdade é que as temperaturas negativas parecem ter-se deslocado: o frio que sentimos deveria estar a ser registado mais a norte. Na estação meteorológica de Cape Morris Jesup, na Gronelândia registaram-se temperaturas mais quentes do que em Londres e em Zurique.

"Os picos de temperatura fazem parte dos padrões climáticos normais - o que tem sido incomum neste evento é que persistiu durante muito tempo e tem sido muito quente", disse Ruth Mottram, do Instituto Meteorológico Dinamarquês. "Desde o final da década de 1950 que nunca vimos temperaturas tão elevadas no Ártico", revelou.

Os cientistas estão agora a tentar perceber as razões que levaram a este aumento brusco das temperaturas naquele que deveria ser o lugar mais frio do planeta.

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