Astronomia. Coimbra volta a ver estrelas num observatório único

É hoje inaugurada a cúpula astronómica e planetária, duas infraestruras raras no país. Objetivo é cativar a região centro para esta ciência, oferecendo visitas regulares

Sobem-se 20 degraus, dois lanços de escadas, e fica-se mais perto das estrelas e outros objetos celestes: é só esperar que a cúpula se abra e espreitar pelo telescópio. É de forma simples que o Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC) quer aproximar a ciência da cidade: hoje, às 16.00, inaugura uma cúpula astronómica e um planetário, duas infraestruturas raras em Portugal.

"Isto destina-se, sobretudo, às pessoas e à divulgação científica", numa época em que a população das cidades foi perdendo o hábito de contemplar o céu, resume João Fernandes, subdiretor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, que é responsável pelo OGAUC. As infraestruturas vão estar abertas à cidade, prontas a receber visitas regulares e sessões de observação diurna e noturna de astros. "Por isso, chamámos a este projeto "um universo de estrelas de regresso ao observatório"", explica, ao DN, o dirigente.

Regresso? Sim: o OGAUC já teve uma cúpula astronómica, que ficou ao abandono a partir de uma data indeterminada, algures em meados dos anos 70 do século XX . "Recebíamos tantos pedidos para fazer observações mas não tínhamos meios para as oferecer às pessoas", lamenta João Fernandes.

No entanto, o problema teve solução. Com um investimento de 700 mil euros (financiado pelo programa Mais Centro, no âmbito do QREN 2007-2013, pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Universidade de Coimbra) a cúpula foi recuperada e equipada com um telescópio e noutro edifício devoluto foi montado o planetário que permite ver a projeção das imagens de estrelas, planetas e outros objetos celestes. Agora, "este observatório tem características únicas, não há qualquer outro em Portugal que ofereça as duas valências (cúpula astronómica e planetário)", congratula-se João Fernandes.

As duas infraestruturas, em funcionamento experimental desde o ano passado, abrem-se agora à comunidade. A Cúpula Astronómica Fundação Calouste Gulbenkian (que leva o nome da mecenas) vai receber sessões mensais de observação dos astros, nas quartas-feiras mais próximas da fase de quarto crescente, com entrada livre: a primeira é no dia 13, a partir das 18.30. "É fantástico olhar para a Lua com um telescópio e ver as crateras. Fica tudo muito grande. Toda a gente se deslumbra. Aproveitamos o quarto crescente, porque com a lua cheia a luz encadeia um bocado e não há sombras", descreve Nuno Peixinho, investigador do Observatório. Além disso, serão realizadas outras sessões, em ocasiões especiais, como o trânsito de Mercúrio -a passagem do planeta entre o Sol e a Terra, fenómeno apenas visível 13 ou 14 vezes num século - a 9 de maio.

No planetário - "o primeiro de Coimbra e da região centro", frisa Nuno Peixinho -, o espírito é similar: receber visitas de escolas e abrir para toda a população, quinzenalmente, ao sábado de manhã (com início no dia 16, às 10.00). "Aqui podemos mostrar o que se veria à noite num local com condições ideais de observação", explica o investigador do OGAUC, que chama ao espaço, um "um palco do universo" ou "um anfiteatro do cosmo". Afinal, ali, como em qualquer sala de espetáculos, os visitantes só têm de se sentar e assistir.

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