Análises ao sangue podem detectar 8 tipos cancros em estado precoce

O ADN e biomarcadores poderão ser usados para detetar e identificar cancros em estado precoce, inclusive cinco espécies para as quais não existem hoje testes de diagnóstico.

Um estudo publicado na revista de Science sugere que um novo tipo de análise ao sangue poderá identificar muitos tipos de cancro com bastante antecedência em relação à verificação de sintomas.

O novo tipo de análise toma em consideração proteínas relacionadas com as diferentes espécies de cancro e mutações do ADN detetáveis no sangue, tendo registado resultados positivos em mais de 70% em oito dos casos mais comuns de cancro num universo de mil doentes.

Os resultados do estudo sugerem que este tipo de análise poderia ser utilizada para a deteção precoce de cancros, permitindo o tratamento em estádios iniciais da doença. Isto é, muito antes que os sintomas sejam identificados nos exames tradicionais.

O teste poderá igualmente identificar os tipos de cancro que um doente pode ter tido no passado, o que não sucede com os atuais exames.

O novo tipo de análise incide, em particular, sobre mutações do ADN libertado para a corrente sanguínea por células cancerígenas, procurando a presença de mutações em 16 genes que, frequentemente, sofrem mutações para diferentes espécies de cancro.

O sangue dos doentes foi também analisado para identificar oito marcadores de proteínas que sofrem alterações consoante o ponto do corpo em que se situa o tumor.

Com experiências realizadas também em 850 pessoas sãs, o novo método de diagnóstico foi eficaz a detetar os casos de cancros do ovário, fígado, estômago, pâncreas, esófago, colorrectal, pulmão e mama. O cancro nos ovários foi o mais simples de detectar, seguindo-se o do fígado, do estômago, do pâncreas e do esófago, com níveis percentuais entre os 69% e os 98%, escreve o The Guardian, que divulga hoje as principais conclusões do estudo.

O estudo indica ainda que é possível despistar falsos casos de resultados positivos, "impedindo a necessidade de mais testes invasivos para confirmar a presença do cancro", disse àquele diário britânico um dos autores da investigação, Kenneth Kinzler, professor de oncologia na Universidade de Johns Hopkins.

Um outro académico citado pelo The Guardian nota, todavia, que "80% dos cancros detectados eram de nível dois ou três - isto é, já avançados. Demonstrar que um teste detecta cancros em estado avançado não significa que seja útil para determinar cancros no seu estado inicial e, menos ainda, os pré-sintomas de um cancro. A detecção de cancros de nível um foi apenas de 40%", disse Paul Paharoah, que ensina epidemiologia na Universidade de Cambridge.

Se é verdade que não é possível identificar todas as variedades de cancro, como admite o professor de oncologia Bert Vogelstein, da Universidade Johns Hopkins, o novo tipo de análises, considera ele, permite a identificação de muitas espécies de cancro que, de outra forma, não seriam sequer referenciadas a não ser já em estádios avançados.

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