"A ligação da tecnologia à agricultura é um mundo de oportunidades"

André Ferraz, 26 anos, e Jorge Mendes, 23, são os dois jovens investigadores que trabalham com Filipe Santos nos projetos Agrob. São ambos bolseiros de investigação e o seu percurso académico, em engenharia eletrotécnica, foi feito na UTAD. Foi nesta universidade, com o professor Raul Morais, que nasceu o interesse pelo desenvolvimento de tecnologia para a agricultura de precisão

Como é que chegaram a este projeto?

Jorge Mendes (JM) - Estudei na UTAD onde tirei licenciatura em engenharia eletrotécnica. No projeto de licenciatura, com o professor Raul Morais, foi proposto que trabalhasse no Agrob. Acabei por terminar o mestrado já com a dissertação no âmbito deste projeto.

André Ferraz (AF) - Entrei da mesma maneira. A licenciatura com o professor Raul Morais foi com um projeto sobre agricultura, tal como o mestrado. Dedico-me à gestão energética do robô, a parte de módulos que é preciso incorporar no robô. Trabalho no Agrob mas enquanto o Jorge está como RoMoVi, dedico-me mais diretamente ao SmartFarming, que desenvolve a inteligência dos sistemas de rega.
JM - Sempre gostei desta área da robótica e do processamento de imagem que, no caso deste projeto RoMoVi, é o que me ocupa o tempo.

Passar da aprendizagem para a descoberta é fácil?

JM - Com o pessoal daqui do INESC torna-se mais fácil. São pessoas com muita formação e experiência nesta área. NA UTAD, onde o INESC está presente, não há tanto pessoal a trabalhar nesta área.

A ligação da robótica à agricultura está muito presente na UTAD?

AF - Sim, sobretudo devido ao professor Raul Morais, responsável pela grande ligação existente na UTAD entre agricultura e tecnologia, a agricultura de precisão. É a pessoa que mais faz por isso.
Quando entraram na universidade imaginavam que iriam trabalhar ligados à agricultura?

AF - Não, nem fazia ideia.

JM - Foi mais com o projeto de licenciatura, já com escolhas a fazer, que nos dedicámos a esta área.

É uma área muito diversa na agricultura, que mexe com tudo?

AF - Sim, e em Portugal ainda tem um grande défice. Ainda se está muito reticente em apostar, em investir, porque não sabem as mais--valias que podem ter disso. Mas grandes produtores, em Portugal e não só, já o fazem e têm resultados com isso. É importante aliar práticas mais rudimentares com tecnologia. A sabedoria popular é muito boa mas se tivermos a certeza daquilo que estamos a fazer é muito melhor ainda. A olho podemos olhar para uma planta e dizer que precisa mais ou menos desta quantidade de fertilizante. Com a precisão sabemos a quantidade exata.

JM - Há uma grande quantidade de fitofármacos aplicados sem necessidade. O desperdício é muito grande ainda.

AF - Estamos a desperdiçar recurso e a prejudicar a saúde da planta. É como no ser humano: estar a injetar medicamentos não necessários.

O horizonte tecnológico é vasto?

AF - Dentro da agricultura, cada colheita tem as suas necessidades e não são todas iguais, geram tipos de implementação diferentes. A vinha precisa de uma coisa, as oliveiras precisam de outras, os pomares outras. Isto é um mundo de oportunidades.