A catástrofe que extinguiu dinossauros influenciou as aves

Há 66 milhões de anos, um meteorito atingiu a Terra e provocou a extinção dos dinossauros. Um estudo agora divulgado tenta explicar como o impacto influenciou o tipo de aves que existem hoje

A extinção dos dinossauros continua a intrigar a comunidade cientifica e tem sido motivo de vários estudos, um dos quais tenta explicar como o cataclismo que aconteceu há milhões de anos influenciou o tipo de aves que existem hoje.

De acordo com o trabalho desenvolvido pela equipa liderada por Daniel Field, paleontólogo da Universidade de Bath, no Reino Unido, a destruição causada pelo meteorito que atingiu a Terra há 66 milhões de anos afetou a evolução das aves.

As histórias evolutivas de grandes grupos modernos, como pássaros, mamíferos e plantas com flores, foram influenciadas pela extinção em massa do final do período Cretáceo

No artigo que foi publicado esta quinta-feira na revista Current Biology , os cientistas explicam que apenas as aves que viviam em terra sobreviveram às consequências do impacto, ao contrário do que aconteceu com as espécies que viviam nas árvores. A destruição massiva das florestas em todo o mundo, resultante do impacto, levou a que essas aves ficassem sem habitat, explicam os autores do estudo.

"As histórias evolutivas de grandes grupos modernos, como pássaros, mamíferos e plantas com flores, foram influenciadas pela extinção em massa do final do período Cretáceo", referiu Field no estudo.

"A catástrofe global deixou uma assinatura tão indelével nas trajetórias evolutivas desses grupos que ainda podemos rastreá-la 66 milhões de anos depois", considerou o paleontólogo.

De acordo com o especialista, os antepassados das aves que conhecemos hoje e que tem como habitat as árvores, só começaram a voar até aos ramos quando as florestas renasceram após o cataclismo. ​​​​

A análise de amostras de fósseis desse período, que foram recolhidas na Nova Zelândia, Japão, Europa e América do Norte, levaram os investigadores a concluir a destruição das florestas no final do período Cretáceo e a extinção das aves que tinham como habitat as árvores.

No estudo, foi feita a relação evolutiva entre as 10 mil espécies de aves que existem hoje e concluiu-se que os sobreviventes do cataclismo foram as aves que viviam no solo. "As análises mostraram que o passado ancestral de todos os pássaros que vivem hoje, e todas as linhagens de aves que atravessaram o período Cretáceo, eram, provavelmente, terrestres", resumiu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.