Número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande sobe para 58

Maioria das vítimas mortais estava em zona de estrada. Governo pede às pessoas que não se desloquem ao local

O número de mortos no incêndio de Pedrógão Grande subiu para os 58, informou o secretário de Estado da Administração Interna, num balanço feito às 12:00 deste domingo. Das vítimas mortais, quase 50 foram encontradas em zonas de estradas, 30 dentro dos carros e 17 na berma. Há crianças entre as vítimas.

Há ainda 54 feridos, disse Jorge Gomes. Num balanço anterior, feito às 10:00, o secretário de Estado da Administração Interna informara que havia a registar, até então, 57 vítimas mortais. O mesmo responsável lançou um apelo à população, pedindo para que os locais não se desloquem ao local, facilitando assim o trabalho das equipas que combatem as chamas.

O governante disse à comunicação social que, neste momento, as prioridades são dar paz às pessoas que estão a sofrer com a perda de vidas e dar paz aos operacionais que combatem as chamas, controlando o incêndio, que continua com quatro frentes ativas, duas das quais com "extrema violência".

Visivelmente emocionado, Jorge Gomes apontou os locais em que foram encontradas as vítimas mortais, na Estrada Nacional 236, que faz a ligação ao Itinerário Complementar (IC) 8.

"Foram encontradas 30 pessoas em viaturas e 17 fora das viaturas ou nas margens da estrada e em ambiente rural foram encontradas 10 vítimas mortais", disse.

O governante explicou ainda que o fogo se mantém com quatro frentes ativas, duas "com grande violência", e indicou que no terreno estão cerca de 700 operacionais, apoiados por cerca de 250 viaturas. A combater as chamas estão também dois meios aéreos - dois Canadair - um português e um espanhol. Há um terceiro a caminho.

O cenário na zona onde lavra o incêndio é de um castanho queimado, constatou já esta manhã o repórter do DN no terreno. As chamas estiveram a 50 metros do centro de Pedrógão Grande.

PJ no terreno

A PJ está a trabalhar no levantamento dos corpos; equipas no terreno estão a fazer deteção de cadáveres, dando depois informação à Polícia Judiciária, que os recolhe.

O diretor nacional da Polícia Judiciária revelou entretanto que o incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande teve origem numa trovoada seca, afastando qualquer indício de origem criminosa.

"A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio", disse Almeida Rodrigues.

O comissário europeu para a Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, anunciou já este este domingo que a União Europeia está pronta ajudar Portugal, tendo já sido enviados aviões de combate a incêndios pelo Mecanismo de Proteção Civil europeu.

"Numa resposta imediata a um pedido de assistência das autoridades portuguesas, o Mecanismo de Proteção Civil da UE foi ativado para providenciar aviões de combate a incêndios", disse o comissário, num comunicado.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já manifestou pesar pelas mortes nos incêndios em Portugal.

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