Inspeção das prisões atrás dos guardas de serviço na fuga de Caxias

Havia duas guaritas com guardas no percurso dos presos. Chileno será extraditado

O Serviço de Auditoria e Inspeção dos Serviços Prisionais está a investigar se pode ter havido incompetência passível de processo disciplinar na fuga de três reclusos da cadeia de Caxias, no domingo. O DN apurou que a inspeção está a verificar quais eram os guardas que estavam de serviço nas duas guaritas que abrangiam o percurso de fuga dos dois chilenos e do luso-israelita, e que causas os impediram de ver os fugitivos, apurou o DN. Jorge Alves, do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, está a par das diligências mas garante que ainda não houve nenhum processo disciplinar instaurado. "Quando acontecem casos destes o procedimento é quase sempre o de ir atrás dos guardas prisionais. Mas nós também vamos pedir, no âmbito do inquérito interno instaurado, para se apurar porque não estavam as câmaras de videovigilância ativas e porque razão a iluminação exterior é tão fraca. Por outro lado, os guardas insistem que o percurso de fuga passou pelo alcance das guaritas 5 e 6, que eram as que não estavam a funcionar à noite", referiu Jorge Alves.

Entretanto, as autoridades espanholas esclareceram ontem à Lusa, em Madrid, que só receberam os mandados de detenção europeus dos dois chilenos evadidos na segunda-feira à noite, pouco antes da audição com um juiz de um deles que está detido e deverá ser extraditado para Portugal em breve. Trata-se de Jorge Naranjo, de 29 anos, o único dos dois chilenos a ficar detido em Madrid no domingo mas apenas porque tinha documentos de identidade falsos. O outro chileno, Roberto Ulloa, de 29 anos, "tinha documentos em ordem e não havia razão para o deter", disse a mesma fonte, adiantando que neste momento as autoridades espanholas desconhecem o local onde possa estar. Ou seja, Espanha agora já pode aplicar o mandado de detenção emitido por Portugal não sabe onde se encontra Ulloa.

Jorge Naranjo foi presente a um primeiro interrogatório judicial na segunda-feira à noite, tendo o juiz verificado que se tratava de um dos fugitivos que Portugal reclamava através de dois mandados de detenção europeus chegados pouco antes."Hoje começaram os trâmites para extraditar o detido e quando todos os documentos estiverem em ordem será posto à disposição das autoridades portuguesas, o que deverá acontecer nos próximos dias", acrescentou a fonte judicial espanhola à Lusa.

Naranjo, que se encontrava em prisão preventiva na cadeia de Caxias por furto qualificado desde 29 de novembro, verá agora os dias de fuga acrescentados a uma futura pena, que, em julgamento, será dada em cúmulo jurídico com o crime de evasão (que prevê dois anos de prisão), adiantou fonte judicial ao DN.

Quanto ao fugitivo luso-israelita, Joaquim Matos, de 30 anos, conhecido por Jacob, as autoridades não sabem do seu paradeiro. A mulher que o visitou no dia 14 de fevereiro já foi interrogada sobre um seu possível apoio à fuga mas nada de incriminatório contra ela foi apurado, até ao momento. Sabe-se apenas que Jacob era o único dos três que recebia visitas na cadeia e que na véspera da fuga foi visto a falar em hebraico muito tempo ao telefone, como referiu às autoridades o único dos quatro homens da cela que não fugiu, um preso brasileiro. O Ministério da Justiça limitou-se ontem a reiterar ao DN que emitiu os os mandados de detenção com os nomes dos evadidos.

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