Infelicidade entre os adolescentes aumentou com a pandemia

De 2018 para este ano, a percentagem de adolescentes portugueses que se considera infeliz aumentou de 18,3% para 27,7%. Na sexualidade, está a diminuir o uso de contracetivos.
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Apesar de a maioria dos jovens portugueses se considerar feliz (72,3%), a perceção de infelicidade aumentou durante a pandemia de covid-19, segundo os resultados nacionais do estudo Health Behaviour in School-aged Children / Organização Mundial de Saúde (HBSC/OMS), que contou com a Direção-Geral da Saúde (DGS) como um dos parceiros e que é apresentado hoje na Biblioteca do Palácio Galveias (Lisboa).

Comparativamente com a edição anterior, apresentada em 2018, este estudo, que analisa os estilos de vida dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos quotidianos, mostra um significativo aumento do sentimento de infelicidade nesta faixa da população: de 18,3% (há quatro anos) para os 27,7% registados em 2022. A deterioração da perceção de bem-estar/saúde mental nos jovens portugueses estende-se a outras conclusões neste estudo: 21% dos inquiridos sentem-se nervosos, 15,8% irritados ou de mau-humor, e 11,6% tristes quase todos os dias. Há ainda 17,9% que referem dificuldades em adormecer todos os dias e 12,6% sentem-se preocupados todos os dias, várias vezes por dia.

Ao nível da saúde física/doença, também é registado um agravamento face aos resultados de 2018. Quase um quinto (18,8%) dos adolescentes referem ter uma doença prolongada, problema de saúde ou incapacidade diagnosticada por um médico - há quatro anos, eram apenas 15,1%. Entre estes, no entanto, há um decréscimo de adolescentes com necessidade de tomar medicação (54,5%, face a 60,3% em 2018).

O estudo da HBSC/OMS destaca ainda alguns comportamentos de risco para a saúde, com impacto no aumento do excesso de peso, que subiu de 28,3% para 31,8%, refere a nota de imprensa divulgada pela DGS. A percentagem de jovens que referem não estar a fazer dieta, mas que precisavam, subiu em quatro anos para 25,3%. Comparando com o estudo realizado em 2018, verifica-se no entanto um aumento da prática de atividade física - mais de 3 dias por semana - entre os jovens: de 43,1% para 55,7%.

Já sobre a sexualidade, 84,8% dos adolescentes do 8.º e 10.º anos de escolaridade referem ainda não terem tido relações sexuais. A primeira relação sexual ocorreu acima dos 14 anos para 71,1% dos jovens já sexualmente ativos.
Sinal preocupante é a diminuição do uso de métodos contracetivos: no caso do preservativo diminuiu de 66%, em 2018, para 64% em 2022; o uso da pílula contracetiva diminuiu de 33,8,% em 2018, para 31,3%, em 2022. As relações sexuais associadas ao consumo de álcool também diminuíram, de 17,1%, em 2018, para 13,4%, em 2022.

O estudo HBSC/OMS foi realizado em 51 países e, em Portugal, inquiriu 5809 jovens do 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos, de 40 agrupamentos escolares.

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