"Indigno e desumano": comissão denuncia doentes à espera em ambulâncias sob calor em Portimão
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"Indigno e desumano": comissão denuncia doentes à espera em ambulâncias sob calor em Portimão

Segundo a CUDESP, devido ao calor que se faz sentir nessa altura, os “profissionais são obrigados a deixar as portas abertas” das ambulâncias.
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A Comissão de Utentes em Defesa dos Serviços Públicos (CUDESP) alertou para a “situação indigna e desumana” do acolhimento dos doentes nas urgências de Portimão. Em comunicado este domingo, 19 de julho, alegam que os pecintes têm de esperar em ambulâncias, sujeitos a elevadas temperaturas.

“Diariamente, doentes e sinistrados transportados em ambulâncias permanecem longos períodos de espera no exterior do serviço de urgência [do Hospital de Portimão], muitas vezes no interior das próprias ambulâncias, expostos a temperaturas extremamente elevadas”, adiantou a comissão.

A denúncia consta de um documento enviado ao primeiro-ministro, à ministra da Saúde, aos partidos representados no parlamento e ao presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve. Em anexo estão fotografias nas quais se podem ver várias ambulâncias do INEM e dos bombeiros no exterior do serviço, com as portas abertas, e que considera “profundamente preocupantes, indignas e desumanas” as condições de acolhimento dos utentes que se dirigem às urgências de Portimão.

Segundo a CUDESP, devido ao calor que se faz sentir nessa altura, os “profissionais são obrigados a deixar as portas abertas” das ambulâncias e, “em muitos casos, os próprios doentes acabam por permanecer no exterior, aguardando a disponibilidade do serviço de urgência”.

Além disso, a transferência dos doentes das ambulâncias para o interior das urgências é frequentemente feita à vista de quem circula na via pública e das pessoas que aguardam na sala de espera, “sem qualquer resguardo da intimidade e privacidade dos utentes, desrespeitando princípios elementares de dignidade da pessoa humana”, alerta ainda a comissão.

A CUDESP disse ainda ter informações de que a triagem decorre numa sala com dois postos de atendimento lado a lado, “sem qualquer separação física”, o que leva os doentes e os seus acompanhantes o ouvir as “queixas, os antecedentes clínicos e os dados pessoais de outros cidadãos”. Perante isso, a comissão solicitou à ministra da Saúde que determine, com caráter de urgência, a adoção de medidas que garantam um espaço adequado para a receção dos doentes transportados em ambulância, protegido das condições climatéricas e “compatível com a dignidade humana”.

Pretende ainda que a administração da ULS do Algarve reorganize o serviço de urgência do Hospital de Portimão, no sentido de permitir que as triagens clínicas decorram em condições que assegurem a confidencialidade, a privacidade e o respeito pelos direitos dos utentes.

Aos partidos com representação parlamentar, a CUDESP pede que fiscalizem esta situação e "promovam as iniciativas necessárias para que o Governo resolva este problema com a urgência que o caso exige”. A agência Lusa tentou contactar hoje a ULS do Algarve para obter uma reação sobre estas denúncias, mas tal não foi possível.

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