Incêndios. Autarca de Vila Real pede reforço de meios: "Estamos sob ataque enormíssimo"
FOTO: PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

Incêndios. Autarca de Vila Real pede reforço de meios: "Estamos sob ataque enormíssimo"

Quatro incêndios, todos na zona norte do país, são os que mais preocupam a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e mobilizam mais de 1.000 operacionais
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O presidente da Câmara de Vila Real considerou este domingo que os operacionais que estão no combate ao incêndio que lavra no concelho “são insuficientes” e pediu ao Governo um reforço de meios para acabar com a calamidade.

“Estamos sob um ataque enormíssimo, com prejuízos absolutamente incalculáveis, os meios são claramente insuficientes dada a dimensão daquilo que estamos a viver”, disse Alexandre Favaios à agência Lusa.

Um incêndio que começou no dia 02 em Sirarelhos, entrou em resolução na quarta-feira, reativou-se no sábado à noite e está este domingo a colocar em risco as localidades de Relva, Borbela e Lordelo, próximas da cidade de Vila Real.

O autarca lembrou que o distrito de Vila Real esteve este fim de semana sob aviso vermelho por causa do calor e, por isso, seria "expectável que o dispositivo, efetivamente, estivesse no terreno".

Idosos retirados em Relva

O incêndio que lavra na serra do Alvão, em Vila Real, está a causar preocupações junto à aldeia de Relva, onde as pessoas mais idosas foram retiradas por precaução devido ao incêndio que se reativou no sábado à noite.

A informação foi avançada pelo presidente da Junta de Freguesia de Borbela e Lamas de Olo, José Armando, que disse à agência Lusa que, pelas 18:15, uma das aldeias que causavam mais preocupações pela proximidade do fogo era Relva, localizada na encosta da serra do Alvão.

Segundo o autarca, pessoas mais idosas e vulneráveis desta aldeia foram retiradas por precaução.

De acordo com a página da Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 18:15 estavam mobilizados para o combate a este fogo 292, operacionais, 88 viaturas e quatro meios aéreos.

O incêndio começou no sábado, dia 02, em Sirarelhos, entrou em fase de resolução na quarta-feira, esteve em conclusão e reativou-se no sábado à noite, pelas 21:06, tendo ganhado dimensão esta tarde devido ao vento forte e às altas temperaturas.

Este incêndio obrigou também este domingo à neutralização de uma parte da quarta etapa da Volta a Portugal em bicicleta.

Quatro povoações na linha de fogo em Trancoso

Quatro povoações em Trancoso estão a ser afetadas pelo incêndio uma vez que estão na linha de fogo que está com quatro frentes ativas.

“Além de Seixas, a norte do incêndio há povoações a serem afetadas pelo incêndio e cujas forças de segurança estão a adotar as medidas que considerarem necessárias. Seja para as confinar na povoação ou para as retirar”, disse à agência Lusa o comandante das operações, Nuno Seixas.

O comandante no terreno disse ainda que se trata das localidades de Rio de Mel, Rio de Moinhos, Venda do Cepo, Celintrão, no concelho de Trancoso, distrito da Guarda.

O incêndio, cujo alerta foi dado pelas 16:21 de sábado, dia 09, mobilizava pelas 17:05 deste domingo 362 operacionais, apoiados por 120 veículos e oito meios aéreos, segundo a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, depois de ter chegado a estar circunscrito ao início da manhã.

“O incêndio está novamente ativo e está a dirigir-se em direção a alguns locais isolados, com casas dispersas”, disse à Lusa fonte do Comando Sub-regional da Proteção Civil Beiras e Serra da Estrela.

Seis meios aéreos combatem chamas na Covilhã

Seis meios aéreos e mais de 300 operacionais combatem um incêndio em floresta na Covilhã, disse à agência Lusa fonte da Proteção Civil.

“O incêndio está ativo numa zona de floresta, em Sobral de São Miguel”, disse a fonte do Comando Sub-regional das Beiras e Serra da Estrela.

O alerta foi dado pelas 15:02 para a localidade de Sobral de São Miguel, no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco.

Pelas 18:30, o incêndio era combatido por 309 operacionais apoiados por 89 veículos e seis meios aéreos, segundo a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Mais de 1200 operacionais em ação em quatro grandes incêndios

Quatro incêndios, todos na zona norte do país, são os que mais preocupam a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e mobilizavam mais de 1.000 operacionais, informou pelas 19:00 o comandante nacional.

“As ocorrências mais significativas em curso a esta hora são: Sirarelhos, em Vila Real, Alvadia, em Ribeira de Pena (distrito de Vila Real); Frexes e Torres, em Trancoso (Guarda) e Pereira, na Covilhã (Castelo Branco)”, anunciou Mário Silvestre.

Estes incêndios, continuou, mobilizam 1.245 operacionais, 392 veículos e 19 meios aéreos de ataque ampliado.

O comandante falava pelas 19:00 de domingo, para fazer um ponto de situação das ocorrências no país, com principal incidência nestes quatro incêndios que ocorrem no norte de Portugal.

O incêndio em Trancoso resulta de uma reativação ocorrida cerca das 12:00 devido ao vento forte e combustível seco, uma vez que o alerta aconteceu pelas 17:21 de sábado e na manhã de hoje o fogo chegou a estar em resolução.

Segundo Mário Silvestre, tendo em conta a rotação do vento, nas próximas horas o incêndio “irá na direção das aldeias de Moreira do Rei, Golfar e Souto Maior, havendo já preocupação e informação ao dispositivo, que já toma as diligências necessárias”.

“No último levantamento que fizemos, pelas 15:00, a área ardida deste incêndio era de 3.700 hectares, com um perímetro de cerca de 15 quilómetros”, informou o comandante nacional da ANEPC.

Mário Silvestre disse que é esperada uma “perda de intensidade durante a noite e com uma janela de oportunidade para combater o incêndio entre as 00:00 e as 08:00, com o aumento da humidade e a diminuição da velocidade do vento”.

“E com o decréscimo da altura da camada limite irá permitir-nos, durante a noite, ter trabalho efetivo no incêndio, ou seja, começarmos a combater este incêndio”, assumiu o comandante.

Neste incêndio do distrito da Guarda, a Câmara Municipal de Trancoso ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil.

Ao dia de hoje tivemos ainda quatro operacionais assistidos e também quatro transportados a uma unidade hospitalar, felizmente, nenhum deles com problemas graves, com ferimentos ligeiros e já em casa. Houve também um civil que foi assistido”, contabilizou Mário Silvestre.

À mesma hora, havia outras 47 ocorrências no país em resolução, conclusão e vigilância que empenham 1.002 operacionais, apoiados por 297 veículos e oito meios aéreos.

O comandante recordou ainda que no dia de hoje a região de Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo está com alerta de nível três, enquanto a região Norte, Centro e Algarve estão em nível quatro.

A situação de alerta mantém-se até quarta-feira, dia 13 de agosto.

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