António Carapeto, inspetor-geral das Atividades em Saúde (IGAS), confirmou ao DN que já instaurou um processo de inquérito à morte do idosos de 78 anos, no Seixal, na terça-feira, dia 6, que após uma queda pediu socorro ao INEM e teve de aguardar cerca de três horas pela chegada dos meios de emergência. Segundo o inspetor-geral, a IGAS quer averiguar "a qualidade do serviço na perspetiva da prontidão, designadamente por parte do INEM". O caso foi noticiado esta quarta-feira, dia 7, pela Agência Lusa e já está a gerar a polémica, dias depois de ter entrado em vigor o novo método de triagem do INEM. Segundo o afirmações do presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar este caso pode "estar relacionado com o novo sistema de triagem em vigor desde o início do ano". Mas o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, já veio recusar esta possibilidade, justificando o problema com a falta de ambulâncias. “Não havia ambulâncias na margem sul para dar resposta”, disse aos jornalistas.O responsável considerou que “a resposta do INEM foi dada dentro do prazo”, que “o INEM fez o seu trabalho, fez a triagem, que está correta, e fez pedido de ambulância ao fim de 15 minutos”. No entanto, reafirmou: “Por falta de meios não foi possível dar essa resposta”, acrescentando que "há uma limitação muito significativa de ambulâncias na Margem Sul". Segundo o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, a justificação pode não ser assim tão linear, explicando à Lusa que o novo sistema de triagem, que entrou em vigor na passada sexta-feira, dia 2, e que é também usado nas emergências hospitalares, pode levar a que "a atribuição de uma prioridade que permite uma resposta até 60 minutos possa atrasar a procura ativa de meios logo após a abertura da ocorrência, algo que anteriormente não acontecia". Rui Lázaro alerta mesmo para o facto de ter havido já repetição de deste tipo de situações desde a entrada em funcionamento do novo sistema, afirmando que que têm sido recebidas denúncias diárias de casos em que os tempos máximos definidos para cada prioridade são ultrapassados sem que seja enviada qualquer ambulância, mesmo quando existem meios no terreno. Recorde-se que o INEM e a sua refundação tem sido um dos temas que mais levou a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ao Parlamento para ter de explicar situações ocorridas na instituição. E este primeiro caso do ano, já está a suscitar críticas por parte da oposição, nomeadamente do PS, com a deputada Mariana Vieira da Silva a vir dizer que a ministra “limita-se a constatar as dificuldades que existem e não tem nenhuma resposta para essas dificuldades”, a sua “existência é pouco revelante”.De acordo com Marina Vieira da Silva, atualmente “uma pessoa quando liga para o INEM espera ter sorte quando deveria esperar resposta”. INEM mudou sistema de triagem para responder às necessidades Segundo é anunciado no próprio site do INEM, a mudança das prioridades no sistema de triagem justifica-se para melhor "responder de acordo com a gravidade", mantendo-se alinhado "com as melhores práticas internacionais na gestão de emergências, com o objetivo de tornar a resposta mais rápida, mais justa e mais adequada à gravidade das situações." O sistema entrou em vigor no dia 2 de janeiro e "estabelece cinco níveis de prioridade, à semelhança do sistema usado na triagem dos hospitais". Uma classificação que, explica a informação no site do INEM, "resulta sempre de uma avaliação clínica realizada pelos profissionais do CODU, com base na informação recolhida durante a chamada para o Número Europeu de Emergência – 112". Assim, a cada prioridade passam a corresponder tempos de resposta definidos, "o que permite uma gestão mais rigorosa dos meios de emergência". A saber: • P1 – Emergente, situações associadas a risco de vida iminente, implicam uma resposta imediata, com o envio de meios de Suporte Básico de Vida articulados com Suporte Imediato ou Avançado de Vida. • P2 – Muito urgente, situações com risco clínico elevado, preveem a chegada do primeiro meio ao local até 18 minutos. • P3 – Urgente, situações com risco de agravamento clínico, implicam uma chegada até 60 minutos, com envio de meio de Suporte Básico de Vida. • P4 – Pouco urgente, situações associadas a risco clínico baixo, preveem uma chegada ao local de meio de Suporte Básico de Vida em até 120 minutos. • P5 – Não urgente, situações que não implicam o envio de meios de emergência, sendo a chamada transferida de imediato para a linha SNS 24, onde é garantido aconselhamento e encaminhamento adequados.No final da chamada, "o cidadão passa a ser informado sobre a prioridade atribuída, o tempo de resposta estimado e o encaminhamento definido, numa aposta clara na transparência e na gestão das expectativas de quem recorre ao 112. Será também solicitado que, caso a vítima apresente uma alteração dos sinais relatados ou o aparecimento de um novo sintoma, que volte a ligar 112".Recorde-se ainda que este sistema foi alvo de críticas assim que foi anunciado. .Atraso no socorro termina em morte no Seixal. "Não havia ambulâncias disponíveis", diz presidente do INEM