IA pode abrir caminho a um rastreio da mama à medida de cada mulher
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IA pode abrir caminho a um rastreio da mama à medida de cada mulher

Andrea De Censi, diretor da Unidade da Mama da Fundação Champalimaud, defende a inteligência artificial como apoio à mamografia e à avaliação do risco.
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A inteligência artificial poderá ajudar a detetar mais cedo alterações suspeitas nas mamografias e, no futuro, a adaptar o rastreio ao risco de cada mulher. “Com a inteligência artificial, podemos fazer um rastreio personalizado, baseado no risco”, defende Andrea De Censi, diretor da Unidade da Mama da Fundação Champalimaud.

Um ensaio realizado na Suécia, com mais de 105 mil mulheres, testou um modelo de rastreio assistido por inteligência artificial. A estratégia teve maior sensibilidade na deteção do que a dupla leitura habitual e uma especificidade semelhante. A tecnologia apoiou a triagem e a análise dos exames; os radiologistas continuaram envolvidos na leitura.

Para De Censi, a inovação só terá impacto se mais mulheres fizerem os exames recomendados. “A coisa mais importante é fazer o rastreio”, sublinha. Em Portugal, o programa populacional abrange mulheres dos 45 aos 74 anos e prevê uma mamografia de dois em dois anos, com implementação progressiva nos concelhos.

Há, contudo, uma diferença essencial entre rastreio e diagnóstico: o programa destina-se a mulheres sem sintomas. Perante uma alteração na mama, é preciso procurar avaliação médica sem esperar pela próxima convocatória, mesmo que tenha sido feita recentemente uma mamografia.

O oncologista defende também que a investigação esteja próxima dos cuidados clínicos. “Onde se faz investigação, a qualidade do tratamento é melhor”, afirma, apontando o acesso a novos medicamentos e a atualização científica das equipas como vantagens para as doentes.

A prevenção passa ainda por hábitos que podem contribuir para reduzir o risco, embora não eliminem a possibilidade de doença. “O exercício é fundamental”, diz De Censi, que recomenda atividade física regular e uma alimentação equilibrada, com menos carne processada e moderação no consumo de álcool.

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Entre as linhas de investigação que acompanha está o tamoxifeno em dose baixa, estudado em mulheres com determinadas lesões mamárias não invasivas. “É um quarto da dose normal”, explica, referindo-se à dose usada nesse estudo. Os resultados de seguimento prolongado apontam para menos recorrências em grupos específicos de doentes. Não se trata de uma recomendação para todas as mulheres: a decisão depende do diagnóstico e deve ser tomada com a equipa médica.

O Outubro Rosa está a terminar, mas a mensagem do oncologista prolonga-se para lá do mês de sensibilização: “Fazer o rastreio com inteligência artificial, acompanhado de uma avaliação do risco e de uma consulta dedicada à saúde da mulher.” Comparecer quando se é convocada e procurar o médico perante sintomas são cuidados que não devem ficar limitados a outubro.

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