Homicídio seguido de suicídio: mais de metade dos casos

428 mulheres mortas em doze anos. Caso mais recente aconteceu em Sacavém: homem fez explodir companheira

Maria José Cordeiro, morta à facada pelo ex-companheiro no Bombarral. Maria José Magalhães, morta a murro pelo marido em Paços de Ferreira. Aidê Costa, esfaqueada pelo ex-marido este Verão na Anadia. Anabela Pereira, estrangulada pelo marido a 6 de agosto, na Charneca da Caparica. Maria Beatriz Costa, afogada pelo namorado a 22 de Junho no Rio Tejo, em Lisboa. Ou ainda Ana Alves, morta a tiro pelo marido em Mafra. Estes e mais 23 nomes - que contabilizam um total de 29 homicídios - fazem parte da lista negra de mulheres mortas este ano às mãos dos maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros. O mais recente caso - que ontem ocorreu em Sacavém - preenche a tendência deste ano: mais de metade das situações de violência doméstica (58%) foram de homicídios seguidos de suicídio. Ontem, um homem de 60 anos matou a tirou a companheira de 45 anos, junto ao Rio Trancão, e fez explodir o corpo da vítima, suicidando-se com a mesma caçadeira que provocou a morte à companheira. Segundo fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (COMETLIS) explicou ao DN "suspeita-se de um homicídio seguido de suicídio. O homem terá disparado tiros de caçadeira contra a sua companheira, e depois feito explodir o corpo da vítima com engenhos explosivos artesanais", disse o comissário Rui Costa, porta-voz do Cometlis.

Elisabete Brasil , porta voz do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) frisou ao DN que este ano já se pode falar de uma diminuição de casos de homicídios conjugais "mas sem poder de todo falar-se de uma tendência de descida". Em 2015 foram 29 casos, em 2014 foram 44 assassinatos e em 2013 tinham sido 37 casos. No total, desde 2004 até 28 de dezembro de 2015 são 428 mortes.

"Mas há um ponto que podemos destacar este ano", explica a jurista: "Há um aumento de casos de homicídio seguido de suicídio." Concretizando: dos 29 casos, 17 foram seguidos de suicídio. "Temos muitos casos do que se chama por aí de homicídios por compaixão, expressão que rejeito". Casos de homens que estão a passar por uma doença terminal e que decidem que a mulher com quem partilham a vida não podem ficar sozinhas, depois da morte dele.

"Continua a ser um caso de violência doméstica como outro qualquer porque a mulher não pode ser tratada como uma coisa, o homem não pode decidir por ela", explica Elisabete Brasil. Segundo o relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR, relativo ao período de 1 de janeiro a 30 de novembro, "este tipo de criminalidade contra as mulheres e em particular nas relações de intimidade presentes ou pretéritas mantêm uma estabilidade, contrariando a tendência decrescente verificada em Portugal do homicídio praticado noutros contextos".

Elisabete Brasil acrescenta ainda que em 30% dos casos de homicídio neste contexto doméstico, as vítimas já tinham feito denúncias às autoridades policiais. "O que significa que essa percentagem de mortes, pelo menos, poderia ter sido evitada". E sublinhou que em em 59% dos casos, já depois das mortes, foram reportadas - pelos vizinhos ou familiares - situações de conhecimento de violência física anterior à morte. A maioria dos casos são vítimas entre os 36 e os 65 anos, mortas com armas de fogo e nas próprias casas onde viviam com o agressor.

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