Homicida de freira condenado a mais sete anos de prisão em caso de sequestro

Homem acusado de tentar raptar uma mulher para, alegadamente, ter relações sexuais com ela, em Santa Maria da Feira

O homicida da freira "Tona" foi esta terça-feira condenado a sete anos de prisão, num caso em que estava acusado de tentar raptar uma mulher para, alegadamente, ter relações sexuais com ela, em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro.

Os factos agora em julgamento, no Tribunal de Santa Maria da Feira, ocorreram a 18 de junho de 2019, ainda antes do homicídio da freira e cerca de um mês depois de ter sido colocado em liberdade condicional, após cumprimento de pena de 16 anos de prisão por rapto e violação de outra mulher.

O arguido estava acusado de um crime de rapto, mas acabou por ser condenado por um crime de sequestro, na pena de dois anos e três meses de prisão, uma vez que o tribunal não deu como provada a sua intenção de colocar a vítima dentro da bagageira do automóvel.

O arguido foi ainda punido com uma pena de cinco anos e meio de prisão, por um crime de roubo, e um ano, por um crime de ofensa à integridade física simples.

A juíza presidente explicou que as medidas das penas foram agravadas pelo facto de o arguido, que se encontra em prisão preventiva à guarda do processo do homicídio da freira, ocorrido em setembro de 2019, em São João da Madeira, ter sido considerado reincidente.

Em cúmulo jurídico, foi-lhe aplicada uma pena única de sete anos de prisão.

O tribunal considerou ainda procedente o pedido de indemnização civil deduzido pela vítima, condenando o arguido a pagar-lhe quase 29 mil euros por danos patrimoniais e morais.

Durante o julgamento, o arguido negou ter tido intenção de agredir sexualmente a mulher, adiantando que apenas queria roubar o carro, para pagar uma dívida de droga de cerca de 3.500 euros.

"A dívida da droga era grande. Não sabia como pagar. Foi-me sugerido que estava ali um BM[W] de cor clara", disse o arguido, que não quis identificar o indivíduo que lhe "encomendou" a viatura.

Perante o coletivo de juízes, disse ainda não se recordar do que se passou no dia do crime, porque estava alcoolizado e drogado. "Não sei se a agredi. Sei que fiz força para tirar a chave", afirmou.

De acordo com a acusação, a 18 de junho de 2019, o arguido conseguiu aceder à garagem comum de um prédio situado na Avenida Engenheiro Arantes e Oliveira, em São João da Madeira, e esperou que uma das moradoras ali chegasse com a viatura, para a abordar e exigir a entrega das chaves do carro.

Como esta recusou, o homem retirou-lhe a chave à força e abriu a mala para tentar colocar a mulher lá dentro, com o objetivo de ter relações sexuais com ela, mas não conseguiu concretizar os seus objetivos, porque foi surpreendido com a chegada de um vizinho a quem a vítima pediu auxílio.

O arguido acabou por fugir do local levando a chave da viatura, mas abandonou-a a poucos metros de distância do prédio.

Em agosto de 2020, o arguido foi condenado no Tribunal de Santa Maria da Feira, a um cúmulo jurídico de 25 anos de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, violação, profanação de cadáver, roubo, rapto e violação na forma tentada.

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