Habitação: Manifestantes continuam acampados em Lisboa e Porto após noite tranquila
RITA FRANÇA

Habitação: Manifestantes continuam acampados em Lisboa e Porto após noite tranquila

Manifestantes recusam desmobilizar e prolongaram os protestos pelo direito à habitação até ao fim do ano, apesar das ordens de retirada da PSP.
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A noite nas praças D. João I, no Porto, e D. Pedro IV, em Lisboa, foi tranquila, com os manifestantes que participam nas acampadas pelo direito a habitação a permanecerem no local, num protesto que querem pacífico.

No Porto, Pedro Manuel, um dos elementos do movimento que promove o protesto, disse que permaneceram na praça cerca de 80 pessoas durante a noite, em cerca de 50 tendas, num ambiente de “convívio”, apesar da “ansiedade”, depois do aviso da PSP, no domingo à noite, de que estariam a incorrer num crime de desobediência após as 00:30.

Em declarações a Lusa ao início da manhã, Pedro Miguel disse ainda que “não há quaisquer trocas de mensagens diretas” entre o movimento e o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, que se mostrou disponível para se reunir com o movimento, mas nas instalações da autarquia.

Do lado dos manifestantes, dizem que “tudo o que for decidido a este respeito será em assembleia de voto popular”, lembrando que o autarca “sabe que pode visitar estas assembleias, que são diárias”.

O movimento decidiu, no domingo à noite, prolongar o pré-aviso de manifestação até dia 31 de dezembro.

Em Lisboa, no Rossio, os manifestantes que ali pernoitam desde sábado também tiveram uma noite tranquila, depois de também terem sido avisados pela PSP de que as manifestações em lugares públicos não se podem prolongar além das 00:30.

Por volta da meia-noite, o superintendente Silva Resende, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, avisou os participantes da acampada na praça Dom Pedro IV que tinham de retirar as tendas ali montadas.

“Vamos ter que atuar, pode não ser hoje”, disse o oficial aos organizadores da acampada, que argumentaram para que fosse respeitado o “direito democrático” de cada manifestante a estar no espaço público.

Segundo Silva Resende, “o direito de manifestação foi assegurado” e “será sempre assegurado”, mas “a ocupação do espaço público tem regras” e “o acampamento não pode continuar”.

Em declarações à Lusa ao inicio da manhã, João Almeida, auto-denominado porta-voz da acampada, confirmou que a noite foi tranquila, com elementos da PSP a permanecerem no local.

Na assembleia popular de domingo, realizada no local do protesto, os participantes aprovaram manter a acampada enquanto puderem e se, entretanto, forem forçados a retirar as tendas aprovaram, entre quase duas dezenas de propostas, promover assembleias “todos os dias”, pelas 19:00, até que vejam medidas concretas para a crise da habitação.

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