A tradição de uma cidade histórica como Guimarães é conciliável com uma abertura ao mundo? Para Ricardo Araújo, presidente da câmara municipal, é possível - e é isso que pretende demonstrar. Em entrevista ao DN, o autarca social-democrata afirma que “a conjugação da identidade portuguesa com a abertura ao país e ao mundo é perfeitamente conciliável”. O município, conhecido como o “berço de Portugal”, integrará as comemorações dos 900 anos de Portugal, mas aposta igualmente numa estratégia de abertura. “Guimarães é uma cidade que é berço da nação, mas também quer ser berço da inovação. Uma cidade com uma forte identidade cultural, mas que quer estar aberta a outras culturas e ao mundo”, destaca Ricardo Araújo. Na perspetiva do autarca vimaranense, a preservação da identidade cultural do município - que considera representar também a identidade nacional - pode coexistir com uma política de abertura. “Queremos, por um lado, preservar a nossa identidade, as nossas tradições e a nossa cultura, mas, ao mesmo tempo, estar disponíveis e abertos. Também crescemos com essa abertura ao mundo, com essa disponibilidade para acolher outras culturas, sendo bem recebidas. Isso também nos fortalece”, sublinha.Um desses passos foi dado no último fim de semana, com a realização do festival de música Mimo, criado no Brasil. Durante três dias, o evento reuniu uma programação cultural diversificada, com artistas de 13 países e entrada gratuita. “É um festival que se realiza sobretudo em cidades históricas e patrimoniais, como é o caso de Guimarães. Fizemos esta aposta e este investimento”, vincou. Na sua décima edição em Portugal, o festival realizou-se, até ao ano passado, na cidade de Amarante. “Depois que Guimarães voltou a ter projeção nacional e internacional no plano cultural, nós já tínhamos essa intenção de reforçar essa programação. O Mimo pareceu-nos enquadrar-se bem neste objetivo, porque é um festival internacional, multicultural, diversificado, com muita força na dimensão da música, mas que também tem outros componentes, nomeadamente o cinema, além de um histórico e uma projeção internacional”, afirma. O facto de ser gratuito e de ter uma forte proposta de valorização do património histórico também contribuiu para a escolha.A cidade tem sido escolhida para outros eventos culturais privados, como concertos de artistas internacionais. “Eu quero que Guimarães volte a ser uma cidade, do ponto de vista cultural, do ponto de vista dos eventos, uma cidade atrativa, uma cidade que esteja, de facto, mais uma vez, na linha da frente desta programação cultural e recreativa”, defende.Integração de imigrantesDe acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 2021 e 2025, o concelho de Guimarães registou um saldo migratório positivo de +8316 pessoas. Estes números ajudaram a compensar o saldo natural negativo (-747). Ricardo Araújo avalia que a integração de imigrantes “tem um histórico positivo” e que os imigrantes são importantes para a economia da cidade. Assim como em outras cidades pelo país, os imigrantes são importantes para o mercado de trabalho. “A mão de obra imigrante também tem sido importante para, particularmente, alguns setores de atividade económica que temos aqui em Guimarães. Como é o caso da agricultura, da hotelaria, da restauração, as fábricas”, exemplifica. Nas escolas, destaca que a integração também é positiva. “Temos muitas escolas com crianças e jovens de muitas nacionalidades, o que é normal porque as pessoas trazem as suas famílias e o histórico é de uma boa integração. Ou seja, até no setor da educação, a informação que eu disponho é que, globalmente, tem havido também uma boa resposta e uma boa integração”, detalha.O tema da imigração não é distante para o autarca. O presidente da Assembleia Municipal de Guimarães é Rui Armindo Freitas, secretário de Estado para as Migrações. Ricardo Araújo destacou como iniciativa de integração recente a renovação do protocolo com a Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA) para que os imigrantes sejam atendidos. O presidente da câmara entende que o município “sabe bem receber” as pessoas e que, de todo modo, há “naturalmente, sempre um acompanhamento em proximidade por parte dos nossos serviços do município” e que a integração “tem de sempre ser um fator importante”.De uma forma geral, avalia que tudo tem corrido bem. “O balanço que faço, confirmado pelos factos, é que em Guimarães tem havido uma boa integração dos imigrantes. E a cidade acolhe bem, naturalmente, todos aqueles que vêm por bem, que vêm para trabalhar, que vêm para se integrar”.amanda.lima@dn.pt.Do campo de batalha ao palco da cultura: festival Mimo ocupa local onde nasceu Portugal.Paulo Portas escolhido para comissário-geral das comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal