Nos últimos três anos, o Estado firmou contratos que somam, pelo menos, 18 milhões de euros de investimento no Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP). O valor é uma soma de vários contratos consultados pelo DN junto ao portal BASE, com foco nos investimentos de equipamentos e modernização. São adjudicações de vários órgãos do Estado, principalmente a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), mas também outras entidades como a Autoridade Marítima Nacional, que está sob alçada do Ministério da Defesa.A maior parte do valor, cerca de 70% do total, surge ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O mesmo é confirmado ao DN por fonte oficial do gabinete de Luís Neves. “A rede SIRESP tem vindo a registar um processo de modernização e evolução tecnológica ao longo dos últimos anos, nomeadamente, através do lançamento de vários projetos financiados por verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Neste âmbito, o aumento da capacidade e da cobertura da rede têm sido as áreas em foco”, afirma. Uma análise aos documentos disponíveis publicamente mostra que este investimento tem ocorrido desde 2023 e de forma faseada. Naquele ano, a prioridade foi adquirir novas consolas Motorola para os Comandos Regionais do Norte, Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, além dos novos comandos sub-regionais criados com a reorganização da Proteção Civil. O principal objetivo estava em equipar seis novos comandos sub-regionais, renovar os postos de comando e modernizar os centros de despacho. No mesmo ano foram firmados contratos para a construção de novos abrigos de telecomunicações. Em 2024, ocorreu a aquisição de equipamentos para aumentar a cobertura de rádio. Foi também naquele ano o maior investimento num só contrato: 6.139.000 de euros €para a criação de um segundo Mobile Switching Office (MSO), permitindo que a rede continue operacional caso o centro principal falhe, além da compra de vários equipamentos TETRA. Ainda em 2024 foi realizado o investimento de 608 mil euros para aquisição de soluções VSAT, para o reforço das ligações em zonas remotas.Em 2025 o foco esteve na compra de novos equipamentos de rádio para aumentar capacidade da rede, substituir aparelhos e modernizar a plataforma, além da aquisição de novos switches. Neste ano, foram destinados 4 milhões de euros para a aquisição de novos equipamentos rádio, licenciamento WAVE e componentes para centros de despacho. Segundo o MAI informou ao DN, “da totalidade dos equipamentos instalados na rede, foram atualizados 90,3%, estando o processo de finalização dos restantes em curso. Estima-se que o mesmo venha a ser completado no curto prazo”.O futuroEm maio, Governo anunciou novo investimento, na ordem de 36 milhões de euros. Um grupo de especialistas fez 33 recomendações para criar um sistema de comunicações críticas do Estado “soberano e resiliente”. O programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) também tem prevista uma reforma do SIRESP com o objetivo de modernizar a rede, reforçando a redundância de comunicações, melhorando a cobertura territorial e integrando aquele sistema com outros de emergência e proteção civil. Neste momento, está em curso a renovação das salas técnicas das estações base e a promoção de maior autonomia energética, com as estações a passarem a dispor de autonomia superior a 24 horas. A partir de julho, entram ao serviço mais quatro estações base móveis, o que possibilitará reforçar rapidamente a cobertura em zonas críticas, teatros de operações ou áreas com maior pressão operacional.Outra medida é a distribuição de rádios TETRA às autarquias, “que asseguram acesso direto à rede SIRESP e permitem manter comunicações operacionais mesmo quando as redes comerciais falham, reforçando a articulação entre Proteção Civil, forças de segurança e autoridades locais”, refere o MAI. Com o verão e a época de incêndios à porta, e depois de um primeiro trimestre intenso em termos de mau tempo, as atenções estarão agora ainda mais viradas para o SIRESP e a sua eficiência.amanda.lima@dn.pt.Secretário da Proteção Civil aponta para investimento de 550 milhões nos bombeiros.Grupo de trabalho do SIRESP propõe ao Governo a criação de um novo sistema de comunicações críticas