Governo diz que "não há bala de prata para resolver problema da habitação"
José Mota

Governo diz que "não há bala de prata para resolver problema da habitação"

Habitação "é um problema complexo que tem de ter uma gestão integrada, temos de estar de mãos dadas na parte social, construção e orçamento para conseguir resolver", defende secretária de Estado.
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A secretária de Estado da Habitação admitiu esta terça-feira, 6 de janeiro, que "não há uma bala de prata para resolver o problema da habitação", apontando que é um problema "complexo que tem de ter uma gestão integrada".

A habitação "é um problema complexo que tem de ter uma gestão integrada, temos de estar de mãos dadas na parte social, construção e orçamento para conseguir resolver", defendeu Patrícia Gonçalves Costa, na apresentação de um relatório da OCDE, em Lisboa, com foco na habitação.

"Não é o Estado central que o resolve sozinho, nem as regiões autónomas nem autarquias, é um contínuo diálogo", salientou, apontando que também foram dados contributos e sugestões à Comissão Europeia para o plano europeu da habitação.

A secretária de Estado assumiu ainda que a "habitação hoje em Portugal é uma das maiores fontes de preocupação social e uma ameaça real à coesão enquanto sociedade", apontando que o diagnóstico "assenta numa procura que cresceu de forma acelerada impulsionada também pela atratividade de cidades e pela imigração", cujos efeitos não foram acautelados.

Tendo em conta este cenário, as recomendações da OCDE vão no sentido de "desbloquear a oferta pública e voltar a pôr em funcionamento o motor da habitação", notou.

A governante destacou um conjunto de medidas que estão a avançar nesta área, salientando que o Governo está a elaborar alterações ao regime geral das edificações urbanas, nomeadamente tendo em vista a simplificação e flexibilização.

Patrícia Gonçalves Costa disse também que o executivo está a rever o regime do arrendamento urbano, que "estará brevemente terminado", estando também a trabalhar no reforço da oferta pública, com um programa de parcerias público-privadas.

Quanto aos apoios ao arrendamento, a governante indicou que "os programas estão em revisão para que não haja capital de queixa nos atrasos" e para "interoperabilidade entre várias entidades".

No que diz respeito ao IMI, a secretária de Estado apontou que já há uma "legislação que permite aos municípios agravarem o IMI se as casas estiverem devolutas", acrescentando que no pacote de incentivos fiscais que o Governo propôs e vai apresentar na sexta-feira na Assembleia da República, está prevista a isenção de IMI nos contratos para arrendamento acessível.

No Economic Survey de Portugal, onde analisa o desempenho económico do país, a OCDE dedica um capítulo aos desafios da crise da habitação, propondo soluções como a "simplificação das licenças de construção", a "reforma da tributação" e o "reequilíbrio da regulamentação dos arrendamentos".

O agravamento do IMI, limites à tributação de mais-valias com a venda de habitações e agravamento fiscal sobre "habitações subutilizadas" ou devolutas em "zonas de elevada procura" são as principais recomendações do estudo da OCDE divulgado esta terça-feira.

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