Governo arquiva inquérito sobre acolhimento de refugiados em Setúbal

O Governo arquivou o inquérito sobre acolhimento de refugiados em Setúbal depois da Inspeção-Geral de Finanças ter proposto esse arquivamento.

O presidente da câmara de Setúbal, André Martins, confirmou o arquivamento do inquérito da Inspeção-Geral das Finanças, a quem competem os inquéritos e sindicâncias, sobre o caso da receção de refugiados ucranianos em Setúbal.

"Estamos de consciência tranquila quanto a tudo aquilo que fizemos, fizemo-lo para servir as pessoas, com os meios que tínhamos, para nós é uma situação normal o arquivamento", disse à Agência Lusa André Martins.

O autarca explicou que quando foi decidido criar o gabinete para receber refugiados de guerra da Ucrânia "naturalmente" foi feito para "atender as pessoas o melhor possível, para encaminhá-las, criar as melhores condições para se instalarem em Setúbal ou procurarem outros locais em território nacional".

"Naturalmente ficamos satisfeitos", frisou, salientando que "quando é feita uma inspeção ou inquérito pode-se sempre encontrar situações que não se tinham acautelado. Se o arquivamento é proposto, naturalmente ficamos satisfeitos", reiterou.

Segundo o jornal Público, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa homologou, num despacho datado de 8 de agosto, o arquivamento do inquérito ao acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal. Esta decisão é fundamentada na ideia de que as irregularidades identificadas já estão regularizadas.

O inquérito revelou três irregularidades na relação entre a Câmara Municipal de Setúbal, presidida pelo comunista André Martins, e a Associação de Imigrantes dos Países de Leste (Edinstvo), dirigida por russos de quem se suspeitava terem ligações ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, reconheceu que o arquivamento do caso não foi uma surpresa. "Não estávamos à espera de outra coisa, porque temos a consciência de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para receber as pessoas o melhor possível e lamentamos tudo o que se passou depois", frisou.

A Assembleia Municipal de Setúbal tinha aprovado em maio por unanimidade a criação de uma Comissão Eventual de Fiscalização da Conduta da Câmara de Setúbal e dos Serviços Municipais no Acolhimento de Refugiados Ucranianos pela autarquia sadina.

Embora nem todos os partidos políticos estivessem de acordo com as considerações da proposta do PS, como sublinharam durante a reunião da Assembleia Municipal, todos votaram favoravelmente a proposta socialista, incluindo a CDU, coligação que lidera o executivo da Câmara Municipal de Setúbal.

A polémica sobre o acolhimento de refugiados ucranianos na Câmara de Setúbal foi levantada por uma notícia publicada pelo jornal Expresso, segundo o qual o cidadão russo Igor Khashin, membro da Associação dos Emigrantes de Leste (Edinstvo), e a mulher, Yulia Khashina, também da Edinstvo e funcionária do município, terão fotocopiado documentos e questionado os refugiados sobre o paradeiro de familiares na Ucrânia.

De acordo como que foi escrito na altura pelo semanário, pelo menos 160 refugiados ucranianos já terão sido recebidos por Igor Khashin, antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e por Yulia Khashin.

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