O Governo aprovou esta quinta-feira, 22 de janeiro, em Conselho de Ministros a criação de um regime que vai permitir aprender a conduzir com um tutor, em alternativa à frequência das aulas práticas nas escolas de condução.O ministro das Infraestruturas e Habitação explicou em conferência de imprensa que este regime alternativo de aprendizagem com tutor garante “todas as dimensões de segurança rodoviário”.“Permitimos o registo do tutor para poder também transmitir os ensinamentos de pai para filho, de avô para neto, não tirando o papel absolutamente essencial das escolas de condução e posterior exame final”, acrescentou Miguel Pinto Luz.O documento agora aprovado abre a porta à formação com tutor para alunos com mais de 18 anos e que pretendam tirar a carta de condução relativa à categoria B, que inclui veículos ligeiros até 3.500 quilos e nove lugares.Apesar da possibilidade de aprender a conduzir com um tutor, o Governo dá às escolas de condução a possibilidade de avaliarem se são necessárias aulas complementares.O Governo quer ainda que os exames, de todas as categorias, possam ser também feitos em língua estrangeira e que o reconhecimento das cartas de condução de estrangeiros tenha a duração do período de autorização de residência.Escolas falam em "retrocesso civilizacional"A Associação Nacional de Escolas de Condução (ANIECA) considerou um “retrocesso civilizacional” na segurança rodoviária as novas regras aprovadas pelo Governo para um regime de aprendizagem de condução acompanhada, considerando-o um “erro estratégico com consequências previsíveis” na sinistralidade.Em comunicado, a ANIECA manifestou a sua “firme oposição” às mudanças hoje aprovadas em Conselho de Ministros para o regime de aprendizagem para obter carta de condução, que definem também como “um ataque direto à qualidade da formação dos futuros condutores em Portugal”.“A ANIECA recorda que todas as entidades relevantes do ensino da condução manifestaram a sua oposição a estas medidas. A aprovação de alterações estruturais ao regime jurídico do ensino da condução contra o consenso técnico e profissional do setor é incompreensível e profundamente preocupante”, lê-se no comunicado da associação de escolas de condução.Recorda exemplos de países, como a Noruega, em que se reverteu a implementação do modelo em que os candidatos a condutores podem ser ensinados a conduzir por um tutor, não profissional deste ensino específico, e em veículos sem pedais do lado do tutor que permitam também controlar a viatura, colocam riscos de segurança. Já nos EUA, onde este modelo vigora, aponta uma taxa de mortalidade nas estradas que é o dobro da portuguesa.“(…) A redução da formação prática ministrada por instrutores certificados e a sua substituição por regimes de condução acompanhada mal regulados coloca em causa a segurança rodoviária e a eficácia do processo formativo. Num país que continua a apresentar níveis elevados de sinistralidade rodoviária, reduzir a exigência e a qualidade da formação inicial dos condutores é um erro estratégico com consequências previsíveis”, lê-se no comunicado.Licenciamento de testes com veículos autónomos avançaO executivo decidiu ainda estabelecer as regras para permitir testes com veículos autónomos, nas cidades, segundo o pacote de medidas para a mobilidade aprovado em Conselho de Ministros.Vão ser definidas as regras aplicáveis a testes em via pública de sistemas automáticos de condução instalados em veículos, para todos os níveis de automação, com o objetivo de salvaguardar questões de segurança para condutores, peões, operadores e veículos."Criámos estes ‘test beds’ (zonas de testes) para podermos, em contexto real, nas cidades, testar veículos autónomos", anunciou o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.Estão abrangidos veículos de passageiros, individuais e de mercadorias, indicou o ministro, acrescentando que "o próprio Estado já utiliza veículos com guiamento automático, como o metro do Mondego, onde é uma realidade que já está em funcionamento".O pedido de teste da condução autónoma é submetido ao IMT para validação técnica, sendo que as autarquias têm de emitir parecer quanto a percursos e horários em contexto urbano e os gestores de rodovia nos restantes casos..Governo quer menos horas práticas nas escolas de condução e mais aulas com tutor. Prevenção Rodoviária critica