Gouveia e Melo perdoa e vai reintegrar capelão

O Chefe do Estado-Maior da Armada fez o anúncio na manhã desta quinta-feira durante uma missa campal. O capelão vai agora prestar serviço na base do Alfeite.

Gouveia e Melo perdoou o capelão Licínio Luís, que vai ser reintegrado. O anúncio aconteceu na manhã desta quinta-feira, durante uma missa campal em Pinheiro da Cruz, no âmbito de um exercício da aprontamento da unidade que vai integrar uma missão da NATO, com o Bispo das Forças Armadas, D. Rui Valério, e o Capelão-chefe da Marinha, Ilídio Costa.

O capelão não voltará aos fuzileiros, indo prestar serviço na base do Alfeite.

Fonte oficial da Marinha confirmou, entretanto, estas informações ao DN.

No final da homilia, Gouveia e Melo passou três mensagens: "Nós não relativizamos a vida humana", "o que fazemos é precisamente defender a vida" e, finalmente, "somos uma Força para o Bem".

Já na quarta-feira, fonte da Marinha tinha adiantado que Gouveia e Melo estava a ponderar readmitir o capelão, com o objetivo de "ser ético e justo", o que agora se confirma.

O capelão tinha sido exonerado das suas funções depois de ter criticado o Chefe da Marinha, o almirante Gouveia e Melo, pelas palavras duras que usou aos fuzileiros na sequência da morte do agente da PSP à porta de uma discoteca, em Lisboa.

Numa publicação no Facebook entretanto apagada, o capelão pediu ao almirante para aguardar pela Justiça e não "julgar sem saber". "Os jovens estavam a divertir-se e foram provocados. Um deles é campeão nacional de boxe, no seu escalão, foi atingido a falsa fé e reagiu", escreveu.

"Quem não o fazia. É selvagem por isso? O senhor Almirante nunca foi para a noite? Nunca bebeu uns copos? Juízo com os nossos julgamentos. Aguardemos pelas investigações. Os nossos jovens têm direito a serem respeitados. Os jovens da PSP estavam no mesmo âmbito e alcoolicamente tão bem dispostos como os nossos. Juízo com os nossos julgamentos", acrescentou Licínio Luís.

O capelão ter-se-á reunido com Gouveia e Melo e pedido desculpas. Mesmo assim, foi exonerado.

Também no Facebook se veio redimir das palavras.

"Enquanto militar, errei ao dirigir-me de forma incorreta, inapropriada, interpretativa e pública ao Almirante CEMA, que respeito pelo seu exemplo de coragem, de serviço prestado e dedicação à Marinha".

"Reli o discurso dele (...) e constato que defendeu a decência humana que a todos nos deve animar. (...) Como vosso capelão, quer pedir-vos desculpa por não ter defendido bem a posição cristã, que nenhuma agressão deve servir de resposta a qualquer ato terceiro, muito menos violência que possa ter contribuído para o falecimento de um agente da PSP, que lamento imenso", escreveu ainda.

Na semana passada o almirante Gouveia e Melo fez um discurso duro ao corpo de fuzileiros da Marinha, no dia do funeral do agente da PSP Fábio Guerra, vincando que não quer "arruaceiros" na Marinha, nem militares "sem valores".

"Os acontecimentos do último sábado já mancharam as nossas fardas, independentemente do que vier a ser apurado. O ataque selvático, desproporcional e despropositado não pode ter desculpas e justificações nos nossos valores, pois fere o nosso juramento de defender a nossa Pátria. O agente Fábio Guerra era a nossa pátria, a PSP e as Forças de Segurança são a nossa Pátria e nela todos os nossos cidadãos", sublinhou.

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