GNR reforça presença nas aldeias para evitar pânico e obter informações

Há uma semana em fuga, Pedro Dias espalhou um sentimento de insegurança nas localidades onde se suspeita que esteve

A Guarda Nacional Republicana (GNR) decidiu destacar militares para quase todas as aldeias onde se suspeita que Pedro Dias - presumível autor de um duplo homicídio em Aguiar da Beira - possa estar escondido. De acordo com informações recolhidas pelo DN junto de fonte da GNR, esta estratégia passa por "dar segurança às populações", esperando que estas possam transmitir informações relevantes sobre o paradeiro do homem que se encontra a monte há oito dias.

Desde que está em fuga, Pedro Dias tem espalhado um forte sentimento de insegurança nas localidades por onde, alegadamente, passa. Isto mesmo foi transmitido ontem à agência Lusa por habitantes de várias aldeias de Vila Real. Uma dessas pessoas foi Cidália Ferreira, habitante de Constantim, a localidade onde o suspeito foi avistado pela primeira vez no distrito de Vila Real. Nos últimos dias, contou, ela e os restantes habitantes alteraram os hábitos, com portas trancadas e um receio permanente. Motivo de preocupação para esta mulher é também o pai de 90 anos, que vive na aldeia vizinha de Carro Queimado, onde foi encontrada a viatura que o indivíduo, de 44 anos, abandonou durante a fuga. Cidália Ferreira confirmou que nos últimos dias têm visto "muita polícia" naquela zona de Vila Real, mas o que as gentes locais gostavam é que o indivíduo se entregasse. "A gente gostava que ele se entregasse, ele sabe bem aquilo que fez e que tem de pagar por isso e já não lhe adianta nada andar a fugir", afirmou aquela habitante.

Até ontem ao início da noite, o centro de operações estava na freguesia de Assento, onde Pedro Dias terá sido avistado pela última vez. GNR e Polícia Judiciária de Vila Real montaram um cerco junto a uma casa de apoio agrícola, depois de duas pessoas terem dado o alerta de que avistaram o suspeito naquele local. Alguns habitantes garantem ter ouvido um estrondo, que associam a um tiro, quando as autoridades se encontravam no local.

As polícias acabaram por desmobilizar à hora de almoço, mantendo-se, porém, em circulação contínua pelas diversas aldeias. "Estamos perante um indivíduo perigoso e um terreno montanhoso. Ao cair da noite, por exemplo, o nevoeiro assenta em quase todo o território, por isso temos de nos manter vigilantes e cada passo deve ser dado com segurança para não pôr em risco a vida das pessoas", explicou ao DN a mesma fonte da Guarda, justificando a "paciência" com que a operação de captura de Pedro Dias tem decorrido.

Disparo acidental

Entretanto, a GNR divulgou, ontem, que o militar que ficou ferido há uma semana em São Pedro do Sul, nas buscas para encontrar o suspeito dos homicídios de Aguiar da Beira, foi vítima de um disparo acidental, aparentemente da própria arma. "Foi um disparo acidental, o chamado "fogo amigo", aparentemente da própria arma", disse ontem o major Marco Cruz, relações-públicas da GNR.

O militar do comando territorial da GNR de Viseu integrava o dispositivo de buscas que operou naquele local, em zona de difíceis acessos, íngreme e com vegetação densa, e terá tropeçado, vindo a ser atingido pelo disparo da própria arma. O major Marco Cruz confirmou que o militar ficou ferido numa perna, foi assistido no hospital, "mas teve alta logo de seguida" e já voltou ao serviço.

A operação de captura de Pedro Dias, além da GNR, envolve elemento da Polícia Judiciária de Aveiro e do Departamento de Investigação de Vila Real.

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