Fotografia de cientista português entre as melhores do ano

Imagem de gel que trata doença foi escolhida pelos Wellcome Image Awards. Vencedores são anunciados esta quarta-feira

A fotografia de um gel para tratar o cancro da mama é uma das imagens mais marcantes do ano para os Wellcome Image Awards, os prémios de fotografia de ciência, medicina e vida da fundação Wellcome, que anuncia hoje os vencedores. A imagem escolhida é da autoria do cientista português João Conde e das investigadoras Nuria Oliva e Natalie Artzi.

A fotografia é uma das 22 selecionadas que vão ser expostas em galerias de vários países. As imagens são avaliadas por um júri técnico segundo a "qualidade, técnica, impacto visual e a capacidade de comunicar e envolver", explica o site dos prémios da Fundação Wellcome, considerada uma das maiores organizações não-governamentais de pesquisa biomédica.

João Conde e as colegas decidiram entrar na competição por estes prémios serem "um dos melhores veículos de divulgação científica do mundo e assim poder levar ao público em geral um pouco do que fazemos no laboratório", explicou o cientista por email, ao DN.

O vencedor do prémio ganha 5700 euros e os restantes, 570 euros. Os Wellcome Image Awards existem há 20 anos, e no ano passado foi criado o Julie Dorrington Award, de 2856 euros, para a melhor fotografia em ambiente clínico.

João Conde explica que a fotografia é tirada de "um microscópio de fluorescência" e mostra a estrutura de um dos géis criados para tratar tumores como o da mama ou do cólon. O gel "liberta moléculas terapêuticas (pontos a vermelho) que inibem o crescimento de tumores, [neste caso da mama]. Estes géis podem ser injetados em tumores e inibir até 90% o crescimento tumoral". Pode também ser usado na inibição de metástases.

João Conde, de 35 anos, trabalhou no desenvolvimento destes géis no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde esteve dois anos e meio. Há quase um ano rumou a Londres para a Queen Mary University. Este trabalho foi feito com a bolsa Marie Curie, que ganhou há três e termina em maio.

O "sonho" de João sempre foi trabalhar no MIT por considerar que este é um dos "melhores locais do mundo em nanotecnologia em cancro". Voltar a Portugal para liderar o seu próprio grupo de investigação está nos seus planos.

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