"Forte sinal" emitido por estrela relança debate sobre vida extraterrestre

O sinal foi captado por um telescópio russo e, segundo especialistas, pode ser indicativo de vida inteligente e uma civilização organizada num planeta próximo

Um telescópio russo captou um "forte sinal" vindo de uma estrela a 95 anos-luz da Terra, uma notícia que voltou a alimentar a discussão sobre a existência de vida extraterrestre. A estrela HD164595 pertence à constelação Hércules, tem 99% do tamanho do Sol e pelo menos um planeta, o HD164595b.

Os especialistas que procuram formas de vida inteligente no espaço viram-se agora para este planeta, que é aproximadamente do tamanho de Neptuno, com a suspeita de que seja ele o emissor do sinal.

O sinal foi capturado pelo satélite russo Ratan-600 há um ano, mas a informação só agora foi divulgada, o que surpreendeu Seth Shostak, do Seti (um programa de Procura por Inteligência Extraterrestre), na Califórnia, Estados Unidos, segundo o The Guardian. Até porque esta a comunidade de cientistas que se dedica à procura de vida no espaço costuma ser muito aberta à partilha, reforça.

O Ratan-600 foi criado para monitorizar a atividade solar o que, para Seth Shostak, dificulta a pesquisa, pois o telescópio russo "não tinha um recetor com resolução espetral" e capta várias frequências, criando alguma confusão. "Eles têm um recetor que absorve uma grande quantidade de sinal rádio de uma vez", explicou o investigador. Por este motivo, é difícil determinar se o sinal veio mesmo de alguma forma de vida inteligente.

Caso seja esta a origem do forte sinal, Claudio Macone, da Universidade de Turim, na Itália, acredita que se trata possivelmente de uma "civilização de tipo I", como afirmou ao The Guardian. Uma civilização de tipo I, seguindo a escala criada pelo russo Nikolai Kardashev, teria um nível de desenvolvimento tecnológico similar ao da Terra.

Claudio Macone vai fazer uma apresentação no encontro International Academy of Astronautics 2016, em setembro, sobre a procura de vida extraterrestre e vai pedir que o planeta HD164595 seja permanentemente monitorizado.

Já Paul Gilster, da Tau Zero Foundation,afirmou à CNN que este sinal poderia ser de uma civilização de tipo II, ou seja, mais avançada que a da Terra em termos de tecnologia.

Paul Gilster também colocou a hipótese de se tratar apenas de um fenómeno de "microlente gravitacional", um fenómeno que acontece quando grandes e pesado objetos como estrelas ou quasares estão alinhados atrás de outro corpo celestial.

"Se não se repetir saberemos o que era", afirmou Paul Gilster ao The Guardian, acrescentando que pode ainda ser "algum tipo de sinal local cuja fonte ainda não foi identificada".

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