"Fiquei preso por trabalhar"

Acusado de integrar a "rede do ouro" que terá vendido 1500 quilos de ouro não declarado na Bélgica, o ex-presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria defendeu-se esta manhã em tribunal

Paulo Martinho, ex-presidente da Associação de Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, um dos principais arguidos no processo da "rede do ouro", declarou ontem em tribunal que ele, que trabalha desde os 12 anos, "ignorava o regime geral das infrações tributárias". O comerciante de ouro é um dos principais arguidos neste mega processo por fraude fiscal de 6,6 milhões de euros na venda de ouro para a Bélgica, processo que implica também, entre os 30 arguidos, João de Sousa, ex-inspetor da PJ de Setúbal.

Acusado dos crimes de associação criminosa, branqueamento (em co-autoria), fraude fiscal, corrupção ativa (em coautoria), recetação (em co-autoria), falsificação (em co-autoria) e detenção de arma proibida (uma "taser" e um revólver), Paulo Martinho não admitiu nenhum dos crimes por que vem acusado ao coletivo do tribunal do Seixal que está a julgar o processo. "Fiquei preso por trabalhar", disse o arguido, que tem cumprido prisão preventiva.

Exaltado, com a voz embargada, o ex-presidente da empresa Alma de Ouro acabou por fazer fortes críticas ao Estado, por quase estrangular o setor em impostos. "Estão aqui a imputar penas de oito anos por as pessoas trabalharem? São 23% de Iva, mais 28% de IRC, significa que são 51% para o Estado e 49% para a pessoa que trabalha. Temos um sócio dentro da casa que não investiu nada", ironizou.

Sobre os outros arguidos, em que se encontra a sua mulher e alguns dos seus antigos clientes e funcionários, ilibou-os a todos de qualquer responsabilidade. "Se houver alguma irregularidade nas minhas empresas, sou eu que respondo por isso, mais ninguém". Paulo Martinho também tentou inocentar, com as suas declarações, o ex-inspetor da PJ João de Sousa, que vem acusado dos crimes de associação criminosa, recebimento indevido de vantagem, denegação de justiça e prevaricação, corrupção passiva, abuso de poder e violação de segredo de funcionário.

O dono da Alma de Ouro contou que conheceu o inspetor da PJ na sequência de um assalto à sua casa, em 2008. "Depois disso, entre 2008 e 2010, contactei com o João de Sousa cinco vezes. Ele não estava diariamente comigo como diz a acusação".

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