Fez o logo da Jornada do Rio e agora reencontra Francisco em Cracóvia

Quando o Papa chegar na quarta-feira à Polónia, Gustavo Huguenin terá um dia de trabalho frenético. É este designer gráfico brasileiro que coordena as redes sociais que promovem a Jornada Mundial da Juventude

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2013 foi especial para Gustavo Huguenin. Primeiro, participou no concurso para escolha do logo (o Cristo Redentor envolvido por um coração e iluminado a verde e amarelo) e ganhou, com a notícia a chegar do Vaticano e a mudar-lhe a vida "do dia para a noite". Depois, conheceu Fabíola, hoje a sua mulher.

Ele é carioca, mas ela vivia a mais de 1500 quilómetros de distância. "Nunca nos tínhamos visto, mas agora estávamos a trabalhar na mesma sala, na preparação da Jornada do Rio. Foi isso que fez que a gente se conhecesse, se aproximasse e tomasse a decisão do nosso relacionamento, do nosso namoro. Para nós foi um sinal de Deus, que devíamos ficar juntos, pois se a gente consegue sobreviver a uma Jornada juntos, a gente consegue sobreviver ao casamento", conta o designer brasileiro, que há 12 meses se mudou para Cracóvia para ajudar à JMJ deste ano, que de quarta-feira até domingo contará com Francisco.

Huguenin coordena as redes sociais que promovem a JMJ. E Fabíola Goulart, que é jornalista, trabalha nas páginas de conteúdo em português. Ambos muito crentes, não deixaram, porém, de sentir a diferença entre o catolicismo brasileiro e o vivido na Polónia. "No Brasil, a gente tem um serviço pastoral muito intenso. A gente tem missões, muitos encontros. Sai-se em busca do povo. Mas aqui na Polónia a maioria das pessoas é tão católica que vai sempre à igreja. Aqui eles tocam música clássica, corais belíssimos. No Brasil é outra música, mais animada. Mas são diferenças positivas e a gente consegue entender a cultura aqui da Polónia, o país de João Paulo II", comenta.

E o que é que surpreendeu mais o brasileiro de 29 anos na Polónia? "É às vezes entrar num prédio e perceber que esse prédio é mais antigo do que o meu país. Mais antigo do que a descoberta do Brasil."

Huguenin está a trabalhar num edifício no centro histórico de Cracóvia que pertence à diocese local. O arcebispo hoje é o cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi secretário pessoal de João Paulo II, o papa polaco que morreu em 2005. No Rio de Janeiro, de início, a JMJ era para receber o alemão Bento XVI, mas a resignação deste fez que fosse já Francisco a ir ao Brasil. E nessa altura desapareceu a tradicional rivalidade entre brasileiros e argentinos, vizinhos sul-americanos.

"A gente ama muito Francisco. A gente se sente próxima das atitudes do Papa. Assim, tudo o que ele faz, que para o povo europeu é surpreendente, para a gente é uma coisa muito próxima. E a forma como ele fala é como se fosse um avô a um neto, à família", afirma o designer. E não hesita em dizer que "se houvesse um Papa brasileiro seria parecido. Do mesmo estilo".

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