Famílias assustadas querem livrar-se dos rottweilers e pit bulls

Associações de proteção animal falam num número "assustador" de telefonemas de tutores que ameaçam abandonar cães

Desde que foi noticiado o ataque de um rottweiler a uma criança de quatro anos, na terça-feira, as associações de proteção animal têm recebido inúmeros telefonemas de donos de cães considerados potencialmente perigosos que querem ver-se livres dos animais. "Atendi o telefone a um senhor da Amadora que tem um rottweiler, de seis anos, que disse que não quer arriscar, porque vai ser pai daqui a três meses. Pediu-nos que arranjássemos uma solução até conseguir um terraço para o cão. Há muitas pessoas a ligar", conta ao DN Maria do Céu Sampaio, presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Animal.

Segundo a responsável, "as associações estão a ser contactadas por famílias que querem desfazer-se do rottweiler ou do pitbull", porque ficaram "assustadas" com as notícias divulgadas esta semana. "É um disparate. Aquele rapaz que passeava com o rottweiler tinha que levar o cão preso. Foi negligência do dono", frisa. Com as associações sobrelotadas, Maria do Céu Sampaio sugeriu ao tutor do rottweiller da Amadora que enviasse fotografias para tentar arranjar uma solução para o cão. "Ainda não as enviou. A ideia é por na internet para ver se alguém tem espaço - uma quinta, por exemplo - para recolher o animal", adianta.

A mesma situação é denunciada ao DN pela SOS Animal. "É assustador o número de telefonemas que recebemos nesse sentido esta semana", diz Sandra Duarte Cardoso, presidente da associação sem fins lucrativos, que fala em chantagem por parte de alguns detentores de animais. "Dizem que têm um rottweiler ou um pitbull em casa, mas têm crianças, portanto, se não ficarmos com o cão, vão entregá-lo ao canil para abate ou abandoná-lo".

Ao DN, a presidente da SOS Animal apela "à população para não entrar em alarmismos". "O rótulo de potencialmente perigoso foi o legislador que deu. São animais maiores, é verdade, mas todos os animais podem ser potencialmente perigosos. O que é perigoso é a negligência por parte dos humanos", afirma. É esta mensagem que a SOS Animal tenta passar às pessoas que a contactam. "Informamos sobre o que quer dizer potencialmente perigoso, o que podem fazer, falamos sobre sinais aos quais devem estar atentos, encaminhamos para treinadores. Temos um diálogo para que o abandono não se verifique", indica.

Em pouco mais de 24 horas, registaram-se três ataques de cães a crianças esta semana, um dos quais, o mais grave, envolvendo um rottweiler, em Matosinhos. O cão andaria na via pública sem trela e sem açaime, acompanhado do dono, e terá ferido a criança no decorrer de uma discussão entre o tutor e os populares, que o chamavam à atenção para o facto de estar a infringir a lei.

De acordo com fonte da Câmara Municipal de Matosinhos, o cão vai ficar "de quarentena pelo menos durante 15 dias" e será avaliado pelo veterinário municipal, cabendo ao tribunal decidir se o animal será ou não eutanasiado. Lançada na internet, a petição pública contra o abate do cão reunia ontem mais de 15 mil assinaturas.

Segundo a PSP, este ano foram registadas 46 queixas por ataques de cães perigosos (com histórico de violência) ou potencialmente perigosos (designação que se deve às características físicas do animal), que no ano passado atingiu um total de 231 casos. Já a GNR registou 71 vítimas no primeiro trimestre deste ano e 284 ao longo do ano passado.

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