Fala e faz gestos. Pepper, o robot que não nos vai tirar o emprego

O Pepper é um robô simpático e educado próprio para dar as boas vindas em lojas

Os robots não vão, no futuro, provocar desemprego, antes vão criar novos empregos, defendeu esta quarta-feira o responsável de uma empresa de robótica, ao lado de Pepper, um robô humanoide que falou inglês e fez gestos.

Um momento diferente na conferência sobre tecnologia, a Web Summit, que decorre em Lisboa, quando se discutiu um futuro com um robot para cada loja, casa ou hospital. Rodolphe Gelin, da empresa criadora (Softbank Robotics Holdings) apresentou o Pepper, baixinho, branco e de olhos e orelhas azuis, que se disse muito contente por estar na Web Summit, que se apresentou e que no final agradeceu e acenou com os dois braços.

O Pepper é um robô simpático e educado próprio para dar as boas vindas em lojas, que pode dar aconselhamento sobre vinhos, por exemplo, e que está equipado com sensores, microfones, radares, câmaras e software de reconhecimento facial e de processamento de linguagem.

Mas não será o Pepper que vai tirar os empregos aos humanos, afiançou Rodolphe Gelin. Perante a pergunta do jornalista Alex Kantrowitz , da publicação norte-americana BuzzFeed, sobre se os robots vão muito em breve ficar com os empregos das pessoas o responsável respondeu: "se fizer bem o seu trabalho os robots não lho vão tirar".

Apesar de trabalhar numa empresa de referência na área da robótica Rodolphe Gelin garantiu que não será a breve prazo que os robots vão fazer coisas "espantosas" e que é preciso muito tempo para os ensinar e preparar, ainda que nem assim esteja para breve um robot que "entenda toda as situações para tomar a melhor decisão".

"Falta muito tempo para tomarem o nosso lugar. Para já estão longe de fazer o que nós fazemos, fazem o que os mandamos fazer, não chegam e dizem "eu sou um robot e vou fazer o que quiser"", disse Rodolphe Gelin, especializado em inteligência artificial e autor de livros sobre robótica.

Um robot pode, exemplificou, ajudar num diagnóstico médico, nos hospitais, mas não pode dar conselhos úteis para o dia-a-dia de um doente ou dizer-lhe que tem uma doença terminal.

Esta indústria, adiantou, vai "mudar o trabalho das pessoas", mas são essas pessoas que fazem os robots, que os arranjam, que os programam, que depois explicam como funcionam, que desenvolvem aplicações, e isso são "muitos empregos" por causa dos robots.

"É difícil imaginar o que vai ser o futuro com os robots" mas "haverá um grande número de empregos que podem ser criados à volta dos robots", disse Gelin, concluindo: "não é preciso ter medo" dos robots, embora seja necessária uma "atitude pró-ativa", de fazer parte da mudança.

De mudança se falou no Autotech-Talk Robot (no pavilhão 2) ao longo do dia, por onde passaram ideias sobre casas inteligentes e sistemas integrados. A Jim Hunter, da empresa multinacional Greenwave Systems, coube desmistificar a ideia de que a privacidade e independência das pessoas estaria em risco por isso.

A empresa oferece a unificação de redes móveis e residenciais para operadores de telecomunicações e provedores de serviços. Propõe facilidades de comunicação e controlo em tempo real de uma única plataforma de tudo o que hoje em casa precisa de vários comandos (ligar as luz, a tv, o aquecimento, abrir a janela...).

Ter um produto que faz uma coisa, outro que faz outra, "não faz a minha vida melhor", defendeu Jim Hunter, cientista da Greenwave, salientando que a segurança dos consumidores é uma grande preocupação e que quando é quebrada permite melhorar no futuro. "Os problemas servem para fazermos as coisas melhores", disse, salientando que ainda assim a conectividade não tem alternativa.

Os computadores, lembrou, só tiveram o sucesso que têm hoje quando se ligaram entre eles.

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